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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Teologia é ciência?

José Renato M. de Almeida

O ser vivo em geral - e o ser humano em particular - tem uma curiosidade inata infinita e sempre buscará respostas além do já conhecido.

Volta e meia uma nova geração de pensadores faz esse questionamento: teologia é conhecimento, é ciência? Conhecimento é o que já se sabe ou, pelo menos, acredita-se que sabe o suficiente. Intuímos que ainda sabemos pouco, porém, o que conhecemos tem tratamentos diversos, de acordo com o enfoque e o método.

Os povos têm experiências que se incorporam às culturas sem serem 'acreditadas' pela comunidade científica. Há, entretanto, alguns conceitos e proposições, sem provas ou demonstrações, chamados axiomas (como acontece na geometria euclidiana), que são pacificamente aceitos como verdadeiros por todos! Desse modo, reconhecemos ou desconfiamos que o pajé ameríndio retém conhecimentos práticos para o tratamento de alguns males. É um conhecimento, mas não é considerado ciência. Os laboratórios mais ricos, espertamente, pesquisam as terapias indígenas e já utilizam diversas substâncias fitoterápicas traduzidas em linguagem e lucros científicos.




A Ciência, a Filosofia e a Teologia, cada uma a seu modo, buscam o conhecimento pleno. Elas foram geradas durante a busca de entendimento do Ser, do Todo, do Divino. Esse, digamos, Desconhecido, já era percebido há milênios por sábios de praticamente todas as raças e culturas, que O registraram em livros ditos sagrados. Os mais difundidos no ocidente são: o Gêneses, para o caso do macro e, para o micro, o atomismo de Demócrito (460 a.C.). A teoria do Universo em expansão - apelidada de big-bang - foi apresentada por um estudioso de Teologia, o abade-astrônomo Georges Lamâitre (1894) e está bem de acordo com o milenar 'Faça-se a luz!', da época em que a Ciência, com 'C' maiúsculo era, fundamentalmente, a busca do Ser. A tese do big-bang foi retomada, dentro dos padrões científicos modernos, por George Gamow, em 1948.


Via Lactea - Galáxia que habitamos, todas as estrelas  que
vemos à noite, estão nesse pequeno círculo amarelo.
Apesar de hoje reconhecermos os imensos avanços tecnológicos, é cedo para afirmar que dominamos o conhecimento. E aí entra a importância da intuição, do insight, do sonho, da inspiração, da fé - que é acreditar naquilo que ainda não é totalmente conhecido e comprovado cientificamente.
Esse conhecimento inconsciente é relegado aos poetas que, como diz a cantiga, 'é quem sonha o que vai ser real'. Esquecemos, entretanto, que: a Tabela Periódica dos Elementos Químicos, incluindo alguns ainda desconhecidos na época; a previsão de as grandes massas alterarem a trajetória da luz; e a intenção científica de decifrar a estrutura básica do Universo através do Modelo-Padrão ou da Teoria das Cordas, também fazem parte desse tipo de crença.

O ser humano para superar seus medos quer conhecer todos os mistérios. Torna-se, desse modo, empreendedor e místico. Essa última palavra, porém, já está contaminada com outros significados. Quando Einstein (1879-1955) rebate o Princípio da Incerteza, de Heisenberg (1901-19760), na mecânica quântica, e profere a conhecida frase 'Deus não joga dados', revela sua religiosidade, está sendo místico. Isso não o impediu de estruturar as Teorias da Relatividade e, com todas a suas dúvidas e erros, tornar-se um dos mais conhecidos gênios do séc. XX. Ele comenta a religiosidade do homem sábio no livro Como vejo o mundo - Alberto Einstein p.23, Nova Fronteira: "O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. [...] Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os espíritos criadores religiosos em todos os tempos."
Mas, até à comprovação, o crente é rotulado de tolo. Mais tolo será aquele que, ante o que não conhece ainda, mantém atitudes de soberba e ironia, em vez de respeitosa atenção. Seja ele um religioso, em relação à Ciência, e/ou um cientista, em relação à Teologia.

Os filósofos denominados de pré-socráticos, como Parmênides e Heráclito, dissiparam as divindades gregas e introduziram o monoteísmo intelectual do Ser - o physis, o fundamento, aquilo que é - deixando os deuses tradicionais aos populares. Vários séculos depois, de modo semelhante, Nietzsche proclama que o Ser, de tanto manipulado pelos poderosos, transformou-se em um deus de mentirinha, usado para amedrontar e manter sob jugo os povos... Esse deus, morreu! Agora, o homem precisa aspirar e conhecer suas próprias dimensões, superar seus medos e fraquezas, exercitar a emoção, inteligência e decisão; transformar-se em um homem liberto, plenamente humano, e assim, conhecer a Verdade, o Ser, o Tudo, o verdadeiro Deus já esquecido. Esse novo homem sonhado pelo filósofo, e denominado por ele de além-homem e traduzido por muitos como super-homem, teria, creio eu, características mais próximas do aparentemente frágil Gandhi, do que as do repórter do Planeta Diário dos gibis que, para exercer seus poderes inatos, veste uma sunga sobre a malha de balé!

Gandhi tinha o poder imaterial do homem sábio e verdadeiro, com ele uniu os povos da Índia e derrotou o poderoso império britânico. Combater o bom combate requer especial lucidez. Creio que, se Nietzsche o conhecesse poderia considerá-lo como o seu esperado além-homem... Ou talvez, o segundo cristão. 

O ser vivo, em geral - e o ser humano em particular - tem uma curiosidade inata infinita, e sempre buscará respostas além do já conhecido. E quando se imaginava que tudo era sabido no século XIX, vem a Teoria da Relatividade, a Física Quântica, a fissão do átomo, as bombas atômicas, de hidrogênio, de neutrons, a Teoria das Cordas, os buracos negros, a energia escura, o DNA... E, finalmente, alcançamos o séc. XX com mais dúvidas que certezas, trazendo ao ser humano desafios muito maiores.


* Artigo veiculado no site do Jornal da Ciência on-line de 01.09.2002  http://200.177.98.79/jcemail/Detalhe.jsp?id=4526&JCemail=2111&JCdata=2002-09-03

** As idéias não têm dono, mas têm autoria!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A ciência da felicidade

Existirá um conhecimento específico para ser feliz? Como obter e desfrutar da felicidade? De algum modo, essa proposta de um amigo no grupo Acrópoles nos fez calar e, o melhor, nos fez pensar. Viveremos o dia em que será incluída no currículo educacional básico a disciplina: noções de felicidade? 
Lembro então o diálogo entreouvido por Nietzsche: “Seria loucura, talvez, pretender algo assim. Mas tudo que é grande talvez tenha sido loucura no início!”.
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Sem qualquer dúvida, a humanidade nunca esteve tão bem estruturada em tecnologia, poder e ciência. Desde cedo aprendemos a ler, escrever, contar e um mundo de outras coisas que os atuais meios de comunicação instantânea permitem. O volume de conhecimento, de tão vasto, impõe especializações no ensino dos artífices e profissionais. O conhecimento geral de Linguagem, Gramática, Aritmética, Matemática, Física, Química, Biologia, História e Geografia, já não é suficiente para tornar uma pessoa apta a desenvolver uma atividade. As disciplinas para o aprendizado fundamental do discípulo-cidadão na Grécia Antiga – Linguagens (prosa, oratória, dialética, poesia, teatro...), Matemática, Ginástica, Jogos, Música e Ciências Naturais - se expandiu e muitas outras matérias ainda são incluídas, até nos dias de hoje, no currículo das escolas, colégios e faculdades. Surge então, de repente, a pergunta quase esquecida: Para que servem as ciências?
"Ora!" - dirá o poeta distraído a contar estrelas - "Elas servem para o ser humano construir sua felicidade!"

Pelo visto, pode-se concluir que ser feliz é apenas um detalhe, sem aparentemente muita importância. A ênfase educacional é dada às disciplinas e às ciências que ensinam nossos filhos a ser um elemento produtivo, um agente da produção, enlevado pela promessa de tornar-se uma pessoa de sucesso... Em resumo: rico.
No fim do ano de 2002, foi aprovada pela Comissão de Educação do Senado a inclusão da disciplina noções de cidadania no currículo escolar (1). No início deste ano, foi tornado obrigatório o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares. (2) 
Um amigo, afeito a questões que passam despercebidas ou preferimos esquecer, acredita que ainda está faltando uma importante matéria no ensino fundamental, e propôs que seja incluída no currículo educacional uma disciplina que ensine às nossas crianças e jovens a ciência da felicidade.

Existirá um conhecimento específico para ser feliz? Como obter e manter a felicidade? De algum modo, a proposta dele nos fez calar e, o melhor, nos fez pensar. Viveremos o dia em que será incluída no currículo educacional básico a disciplina: noções de felicidade? Ruborizamos ao parecer ridículos. Lembro aqui o diálogo entreouvido por Nietzsche: “Seria loucura talvez, pretender algo assim? Mas tudo que é grande talvez tenha sido loucura no início!”(3)

Creio que a Ciência da Felicidade vem sendo pesquisada e desenvolvida há muito tempo, mas, como requer um mínimo de visão, sabedoria e lucidez, continuamos como os nossos ‘primos’ macacos a tentar obtê-la sem abrir a mão. E, assim, ficamos prisioneiros com a mão enfiada na cumbuca da existência, de onde tentamos tirar a própria felicidade... A qualquer custo.
O desafio de definir conhecimentos e regras para viver feliz lembra, de certo modo, o enigma da Esfinge: decifra-me ou permanecerás infeliz. Será que poderíamos todos ser instruídos na sabedoria edipiana rumo às Tebas modernas?  Diversas filosofias, códigos e religiões continuam tentando implantar costumes numa comunidade onde todos vivam a arte de ser feliz. Geralmente falham, quando seus seguidores percebem, que as regras básicas ditadas não são seguidas nem por seus próprios arautos.

Talvez a forma de alcançar a felicidade seja o maior obstáculo, visto ser ela "perseguida" pelos viventes. Qualquer um ao ser perseguido sente-se acuado e foge. Geralmente, queremos retê-la para sempre em nós, em vez de simplesmente desfrutá-la. É como tentar pegar no ar bolhas coloridas de sabão ou aprisionar o canto dos pássaros em gaiolas. A felicidade, nesses casos, não se realiza. Ficamos frustrados sem saber por quê.
Outros valores são importantes nessa busca e requerem preparação. Eles são estruturados no seio da família, onde a criança obtém suas primeiras referências. É o principal fundamento. O resto é, em grande parte, conseqüência desse primeiro aprendizado. Em pesquisa da Unicef, em 2002, os jovens elegeram a família o ponto de apoio fundamental na educação e na formação dos seus valores pessoais e sociais. Isso me parece significativo, pois há em contrapartida, uma enxurrada difícil de ser contida, por parte das mídias, onde a felicidade é oferecida ao jovem consumidor sob vários e sedutores artifícios, antes mesmo dele aprender a falar e desenvolver um melhor entendimento.
Felicidade é o orgasmo transmitido sob gemidos e mãos crispadas nos lençóis na telinha do faz-de-conta... É sair do shopping carregando sacolas de grifes famosas. Não é só usar uma roupa bonita e elegante em que me sinto confortável! Ela se realiza no ato de comprar, mostrar aos outros o meu poder de compra e não no usufruto do bem adquirido. Felicidade é tirar vantagem em tudo, certo? É procurar parecer que é, em vez de ser... Parece-me que a felicidade, hoje, é aquela que os marqueteiros dizem ser, durante as 25 horas do dia.

Na prática, observo nas pessoas que parecem viver a felicidade, uma agradável mistura de paz, confiança, tranqüilidade, disposição, integridade, percepção e atenção à realidade... E, curiosamente, todas elas parecem dispor de todo o tempo do mundo! O que será que elas fazem para alcançar aquilo que imagino que só bastante dinheiro pode me dar? 
As crianças - quando se sentem em ambiente seguro - transmitem essas "qualidades" ao serem simplesmente felizes. Suas preocupação e realizações são imediatas, logo desfrutadas. Um pouco diferente da elaborada felicidade, programada por nós, hoje, menos crianças. Serei feliz quando: colar grau, me empregar, comprar um apartamento, um carro, ter aumento de salário, casar, separar, ter um filho, os filhos crescerem, tornarem-se independentes, me aposentar, ganhar a megassena acumulada (sozinho, claro) e outras pendências, que me imponho a cada época da vida.
    
Seria importante, inicialmente, definir quando estamos felizes, ou melhor, quando nos percebemos e nos consideramos felizes. E, finalmente, tentar definir essa tal felicidade, geralmente só percebida depois que não a temos mais, resumida na frase: "éramos felizes e não sabíamos". 
Cada um apresentará sinais e valores próprios de um estado de felicidade. Muitas coincidências ocorrerão. Uma, que certamente estará em todas elas, já foi dita por Tom Jobim em Wave, de forma tão banal que às vezes é confundida com filosofia barata: "é impossível ser feliz sozinho". No verso anterior Tom considera que "fundamental é mesmo o amor"... E o que é o amor?

É... Precisamos aprender também sobre essas coisas atualmente esquecidas por algum motivo que talvez Freud explique às mulheres, pois deixou sem resposta a questão: “O que querem as mulheres?”.
A inclusão nos currículos educacionais, de matérias que ensinem a ciência da felicidade, não terá maiores resultados em nossa formação. Quem sabe na dos nossos filhos, na dos filhos dos nossos filhos...

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Notas:

  1. A TARDE de 03.12.2002, sob o título: Mudança na Lei de Diretrizes e Bases da Educação-LDB.
  2. Lei n° 10.639, sancionada pelo presidente da República no dia 09.01.2003, altera a Lei n°. 9.394, de 20.12.1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, que passa a vigorar acrescida dos artigos n°s. 26-A e 79-B.
  3. Nietzsche, Friedrich - Além do Bem e do Mal – Prelúdio a uma Filosofia do Futuro, capítulo oitavo: Povos e Pátrias, n° 241 pág.149 – Cia. das Letras.


Autor: José Renato M. de Almeida, pesquisador da evolução dos conhecimentos sócio-culturais versus tecnológicos na história da humanidade. Salvador – Bahia  E-mail: < jrmalmeid@gmail.com.br >

Veiculado no grupo de discussão Acrópolis:
< http://br.groups.yahoo.com/group/acropolis/files/Membros/ >

* As idéias não têm dono... Mas têm autoria.



domingo, 9 de novembro de 2014

Mário Moreno - Cantinflas

De vez em quando surgem homens iluminados, com uma particular compreensão da realidade. Lançam avisos, gritam aos quatro ventos… Mas raramente são escutados.
Tal como Charles Chaplin, com seu personagem Vagabundo, o extraordinário ator e produtor de cinema mexicano, Mário Moreno(1911-1993), com seu personagem Cantinflas, também foi motivo de saudáveis gargalhadas para várias gerações. Entretanto, seus trabalhos e filmes não têm a mesma divulgação. Talvez se filmasse em Hollywood na MGM, Columbia Picture ou na 20th Century Fox - falando inglês - em vez de Pelmex e Condor, teríamos mais lembranças suas na atualidade. Esqueça... Não dá para imaginar Cantinflas falando outra língua que não o seu enrolado, prolixo, desembestado e fascinante espanhol, a ponto de se dizer que, quando alguém enrola na conversa com muito bolodório e cerca lourenço, está "cantinflando".
É admirável a forma inteligente e certeira como ambos criticaram os sistemas políticos totalitários, que ainda hoje existem - disfarçados ou nem tanto -, incapazes de encaminhar o universo econômico e social, para um estado em que a opção pela vida do planeta e da humanidade seja a pedra angular. Como neste trecho do filme “Sua Excelência”, de 1967, em que o inesquecível Cantinflas pronuncia um memorável discurso na Assembleia das “Nações Unidas”, no papel de Embaixador de um país fictício (?).
Com a palavra, Sua Excelência, o Embaixador “Cantinflas”.
< https://www.youtube.com/watch?v=DMMrs9HZ5-k >
Nota: Com o lançamento do filme sobre sua história, as novas gerações poderão ter a curiosidade de conhecer esse gênio da comédia.
A mais justa e ponderada visão do Capitalismo vs Socialismo. A arte quando cumpre o seu papel transcendente é incrivelmente bela e transformadora. Nunca fica...
YOUTUBE.COM

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Porquê não investigar?




Colo aqui comentários pertinentes sobre a necessidade de investigar o porquê das falhas registradas nestas eleições. []s JR


http://www.migalhas.com.br/Leitores/210568

Voto eletrônico  

Comentários de 02.11 a 08.11.2014

"Confesso que quando se iniciou o movimento para uma auditoria no sistema de votação eletrônica via-o sem a menor simpatia, até com má vontade. À medida que o tempo foi passando, e observando a argumentação dos contrários, foi crescendo em mim uma desconfiança. Hão que concordar que o sistema eletrônico é uma caixa preta infensa a verificação e controle. O votante não fica com nenhuma certeza (nem possibilidade) de assegurar-se que o seu voto computado expressa sua opção. A desconfiança no sistema cada vez é maior. Praticamente nenhum país usa o sistema brasileiro. E aqui temos 16 anos de governo que é maior máquina de mentiras e ilegalidades nos tempos recentes. Então, por que não mostrar ao país que o sistema é confiável, seguro e à prova de aloprados e outras espécies petistas? Uma auditoria faz-se necessária e urgente, para dizer aos eleitores que pode votar na urna eletrônica sem desconfiança. Simples assim! Por que o governo e suas hostes marxlulopetistas a temem? Acabei convencido que há algo muito podre no reino do seu Lula e Dona Dilma."
Alexandre de Macedo Marques
"Tinha acabado de enviar a migalha sobre a auditoria das urnas, quando vi a manifestação do robusto sr. Janot, que foi elevado à chefia da PGR pelo regime petista. Agora tenho a certeza da necessidade dessa auditoria, pois é evidente que 'aí tem'! Diz o sr. Janot: 'pode comprometer a credibilidade (do sistema eleitoral). Tal medida é uma imprudência à (sic) toda a prova, dada a real possibilidade de criar uma situação de instabilidade social e institucional'. Como assim? Se houver risco à instabilidade social e institucional significa que são reais as suspeitas, e a eleição ficará sujeita a anulação? Já o Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral classifica o pedido como 'prejudicial à democracia'. Diante de tal argumentação cresce em mim a convicção que há algo de podre na caixa preta do sistema de votação eletrônica. Por que não aproveitar a oportunidade e demonstrar que o sistema funciona corretamente e é imune a fraudes? O que teme o filopetismo de tantas altas e nobres figuras?"
Alexandre de Macedo Marques
"Eles (da Justiça Eleitoral) dizem que todo o processo é seguro e assim explicam: depois de emitir o BU (Boletim de Urna), o mesário grava os dados daquela urna eletrônica em uma espécie de pendrive, que já é acoplado ao equipamento, e leva o nome de Memória de Resultado. Como as urnas não são ligadas a nenhum sistema de rede ou internet, para evitar invasões de hackers, a Memória de Resultado e o Boletim de Urna são encaminhados para um ponto de transmissão e de lá seguem para os datacenters dos 27 tribunais regionais eleitorais. O processo de transmissão é feito por VPN, sigla em inglês para Rede Privada Virtual. Falam também que é muito difícil (não impossível!) alguém invadir a VPN, mas mesmo que conseguisse fazer isso, o hacker não teria tempo para alterar os dados e enviá-los ao TRE sem que a fraude fosse descoberta. Além disso, os dados adulterados não passariam por outros filtros de checagem, como a assinatura digital da rede e a criptografia – semelhante à usada pelos bancos. Além disso, um superhacker precisaria de muito tempo e uma estrutura muito grande para quebrar a criptografia, recolher os dados, modificá-los, criptografar novamente e enviá-los. Até lá, nosso sistema teria percebido a inconsistência das informações. Mas a coisa não é tão segura assim como os homens do TSE pensam. E eles dependem de uma rede, sim. Nas eleições de 2012, um jovem hacker de 19 anos fraudou as eleições do Rio de Janeiro e contou como fez isso em 10/12/2012, no auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ), na Rua do Russel, n° 1, no decorrer do seminário 'A urna eletrônica é confiável?', promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini. O jovem hacker disse naquela ocasião: 'A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada'. Entre os presentes nesse seminário estava o professor de Ciência da Computação Pedro Antônio Dourado de Rezende, da Universidade de Brasília (UnB), que foi um dos palestrantes. Há mais de dez anos que ele estuda as fragilidades do voto eletrônico no Brasil. Perguntado sobre o que achou da fraude relatada, ele respondeu: ‘Plausível, reveladora de muitos detalhes da fase de totalização, e muito séria. Pois é nessa fase do processo de votação que fraudes podem ocorrer de forma definitiva. Ao mesmo tempo, curiosamente, essa fase é sempre omitida nas avaliações externas e testes públicos de segurança, alardeados como garantias de lisura do processo de votação. A Justiça Eleitoral sempre restringiu os testes e avaliações à urna eletrônica. E quando questionada sobre a segurança do processo de votação como um todo, ela desconversa. Sempre confunde o entendimento da questão com o da urna simplesmente."
Abílio Neto
"Nesse caso, apresentado por Abílio, a auditagem pode ser feita confrontando o relatório de urna, impresso e assinado pelos mesários, com o daquela sessão divulgado pelo TSE. No caso da jornalista que registrou em vídeo denúncia de que a urna indicava que já tinha votado - sem que houvesse qualquer assinatura na folha de votação e nem havia sido destacado o comprovante - é um erro gravíssimo a ser apurado por comissão formada pelo TSE. Entretanto, esse tipo de erro tem sido, até hoje, abafado pelos tribunais. Em todas as eleições passadas, nenhuma foi investigada, esclarecida ou corrigida. O TSE tarda em assumir as investigações necessárias, por temor de ficar comprovado que os programas tenham falhas - e isso já está confirmado - o que pode gerar cobranças maiores de esclarecimentos. Os ministros parecem preferir enrolar os menos atentos com lógicas dispersivas, nada consistentes. Orientam o denunciante fazer o registro da ocorrência no tribunal e pronto... Ali morrem todas as falhas ocorridas, há mais de décadas. Será que o clamor da sociedade esclarecida fará o TSE agir como determina qualquer manual de garantia de qualidade?"
José Renato M. de Almeida

"Pelo conjunto da obra petista, perante o Governo desse país, deve haver a presunção de fraude nas eleições, e que deve sim, ser feita uma auditoria no sistema. Inclusive contando com a presença de uma comissão externa, pois, não podemos mais, concordar com raposa cuidando do galinheiro. Simples assim. Cordiais saudações!"

Cleanto Farina Weidlich
Adendo:
A Resolução nº 23.397 do TSE - que dispõe sobre a cerimônia de assinatura digital e fiscalização do sistema eletrônico de votação, do registro digital do voto, da votação paralela e dos procedimentos de segurança dos dados dos sistemas eleitorais de 2014 - está no endereço abaixo. Copie e cole em seu navegador. 
file:///C:/Meus%20Arquivos%20-%20JR/Artigos%20In%C3%A9ditos/TSE%20-%20RESOLU%C3%87%C3%83O%20N%C2%BA%2023.397%20-%20Seguran%C3%A7a%20do%20Processo%20Eleitoral%20BR.htm

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Kit calçada

A Prefeitura de Salvador está exigindo dos donos de imóveis que implantem piso tátil em suas calçadas. Só isso! O que temos visto é uma quebradeira geral de calçadas, sem maiores resultados para os supostos milhares de deficientes visuais que circulariam a pé pela cidade. Do modo como está sendo "cumprido" a determinação municipal, os pisos táteis não auxiliam nem os que enxergam, tal a falta de critérios para sua implantação. Essas boas idéias, criadas e sustentadas apenas com boas intenções, geralmente acabam em si mesmas, por não atenderem as necessidades dos possíveis beneficiários: os deficientes visuais. Quando jovem, conheci um senhor cego, afinador de pianos, que andava pela cidade de Belém-PA, só com uma bengala! Fizera cursos e treinamentos no exterior, naquela época. Hoje, esse aprendizado poderia ser feito no Brasil. Evitaria que idéias como essas, sem suporte tecnológico, caíssem no poço dos desperdícios... Tal como o kit de primeiros socorros, obrigatório nos veículos. Lembram? 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pedra sobre pedra



Um dia após ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff fez declarações que irrigaram as mais secas esperanças de grande parte dos brasileiros: "Eu farei o possível para colocar às claras o que aconteceu neste caso da Petrobrás e em qualquer outro que apareça. Não vou deixar pedra sobre pedra, vou investigar. Precisamos interromper essa sistemática de impunidade. Doa a quem doer. Que se faça justiça. Se alguém errou tem que ser punido." Passados 10 dias, aguardamos ações concretas - a partir dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal - investigando, julgando, punindo e multando pessoas, empresas e partidos responsabilizados... Sem esquecer de fazer retornar aos cofres públicos os bilhões de reais surrupiados durante mais de 12 anos.


* Veiculado no site Migalhas: http://www.migalhas.com.br/Leitores/210499

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Auditar dá trabalho

O discurso generalizado, de que não há fatos que indique uma apuração das não-conformidades ocorridas nas eleições, está abafando os diversos registros de falhas, erros e uso da máquina pública, veiculados as redes sociais. São repetidas pelo pessoal do governo, as mesmas palavras da declaração inicial do ministro corregedor geral da Justiça Eleitoral, João Otávio Noronha que, antecipando-se a qualquer análise, afirma que não há fatos razoáveis, que possam colocar em xeque o processo eleitoral, para que seja feita a "auditoria especial" nas eleições. Para tumultuar ainda mais a questão, há alarmistas falando em terceiro turno, misturando o pedido de auditoria especial com o pedido de impeachment da presidente, por corrupção generalizada no governo do PT.
Durante todos esses anos, as ocorrências de não-conformidade foram levadas de roldão, com a divulgação dos resultados pelo TSE. As denúncias eram rejeitadas apenas com declarações verbais das autoridade dos tribunais eleitorais... E nenhuma foi apurada. Com a popularidade das câmeras em celulares, várias foram registradas nessas eleições, como o uso do Correio do Estado de Minas Gerais pelo governo do PT; "erro" nos números divulgados pelo TRE/BA nas eleições proporcionais; urna indicando que a eleitora já tinha votado, sem tê-lo feito, como comprova o vídeo em < www.facebook.com/video.php?v=8678734198976 >, pela falta de assinatura e o comprovante ainda na folha de votação; o promonter Francisco David dos Santos mostra no Instagram foto da 
folha de votação, indicando que já haviam votado em seu lugar http://noticias.terra.com.br/eleicoes/,d308119a89d49410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html. 
Os dois primeiros foram divulgados pela grande mídia e os dois últimos pelas redes sociais. O pedido é tão somente para apurar essas e outras ocorrências registradas, que não podem ser simplesmente desconsideradas. Entretanto, pelo articulado contra ataque, se não focar na apresentação dos registros dos fatos ocorridos - como o vídeo acima, o vídeo do discurso do ministro aos carteiros de Minas Gerais e o relatório errado, emitido pelo TRE/BA - o pedido do PSDB será facilmente rejeitado pelo pleno do TSE, por incompetência dos requisitantes.
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* Condenação por uso dos Correios em MT: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/diretor-dos-correios-e-condenado-por-usar-estatal-para-pedir-votos-a-dilma 
** MP pede explicações a Dilma, sobre uso dos Correios de MG: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/mp-df-da-prazo-para-dilma-explicar-uso-dos-correios