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terça-feira, 26 de abril de 2016

Escorcha ao cidadão

Esta semana foi confirmado que o consumidor está indefeso. Seja ante as empresas de concessões públicas em qualquer área de serviço, seja em estrada pedagiada, serviço de telefonia, provedor da internet ou a Receita Federal. 
Em qualquer economia livre quando a demanda aumenta o preço do serviço é reduzido, devido a otimização dos custos. No Brasil, vemos que as empresas são protegidas pelos fiscais, enquanto o consumidor-usuário paga o pato.
Vemos isso nos pedágios com preço mais algo aos fins de semana e feriados. Vemos agora na limitação de navegação e nos pacote de dados pelos provedores da internet, sob a conivência da Anatel.¹ Desse modo, as empresas concessionárias deixam de investir na ampliação para atender a demanda no pico e passam a tentar lucrar com implantação de cobranças adicionais!

Não é preciso ser um Sherlock Holmes para deduzir que aí tem 'ptchuleco' a fiscai$ tão liberai$, em detrimento da economia popular.
O Ministério Público (MP) sustenta nossas esperanças para que se acabe com esses crimes contra o cidadão-contribuinte.

Aguardamos também que deslanche na Câmara a votação do veto da presidente Dilma à correção da Tabela de Imposto de Renda. Pelo menos para o ano de  2016 Nós assalariados, contribuintes compulsórios, estamos sufocados por impostos injustos que revoltam ao mais pacífico cidadão. 
Ao concluir o ajuste anual do IR, minha indignação só não foi maior que o valor do imposto ainda a pagar ao desgoverno petista! E os deputados deixam passar em branco e ficar sem resposta o veto a um projeto apresentado e aprovado por eles mesmos.

Suíte utilizada por Dilma Rousseff em um de
suas viagens, com numerosa comitiva.
A que se deve essa inércia? Parece-me que há a intenção tácita de nada fazer para derrubar o veto. Os discursos proferidos pelos deputados, ao proferirem seus votos no processo de impeachment de Dilma, não enganam o mais ingênuo dos cidadãos. Com raríssimas exceções, tanto os contra como os a favor do impeachment, estão preocupados unicamente com seus futuros particulares.
Essa percepção se confirma na falta de interesse em derrubar o veto da governanta Dilma à correção da tabela do Imposto de Renda. Pessoa física não dá verbas e mordomias oficiais aos congressistas... Já o governo dá tudo isso e muito mais quando precisa de apoio ou é chantageado.

A não-correção da tabela do IR dá ao governo mais dinheiro de impostos para sustentar os privilégios daqueles que se fazem amigos do rei. Dinheiro tirado descaradamente dos cidadãos pena não-correção da tabela do IR, que a maioria dos contribuintes nem toma conhecimento. Só sente que o dinheiro encurtou, nada mais!
Em 2016, a defasagem acumulada desde 1996, entre a inflação e a tabela do IR, já alcança 72%, surrupiados ano a ano sob o olhar condescendente dos órgãos de defesa do cidadão-contribuinte!!! Não é pouco e continua a aumentar a cada ano, agora com inflação acima de 10%.
A Inconfidência Mineira foi provocada pela cobrança de 20% de impostos aos mineradores-comerciantes da Colônia, conhecido como "quintos dos infernos". Atualmente, o brasileiro paga 36,7% de seus rendimentos em impostos, mas poucos são os que veem o absurdo da escorcha e cobram correções.
O que será que ocorre no Congresso Nacional para os representantes do povo ficarem surdos ante essa crueldade contra os assalariados, em benefício apenas de um governo perdulário e incompetente?² 

Diga não a qualquer medida que aumente
ainda mais, o tempo que o assalariado 
trabalha só para pagar impostos.
Hoje é 5,2 meses! 
Como diria o personagem do Chico Anísio, Justo Veríssimo, deputado semelhante a muitos dos existentes no Congresso Nacional... quando não há câmeras, claro: "O povo que se exploda, eu quero é me arrumar!"

Até quando o Parlamento vai ficar de costas à população sem privilegios? 

Até quando os cidadãos vão aceitar isso calados, sem reagir?





Notas

1. Agente da Anatel foi flagrado jantando com gerentes da OI e da NET, em noites diferentes, logo após a divulgação da regulamentação que beneficia os provedores de Internet, em prejuízo dos usuários! É a corrupção endêmica, que deve ser combatida diariamente por todo cidadão de bem. Denuncie!

2. O desconto por dependente no exercício ano calendário 2015 é de R$ 2.275,08. Isso significa R$ 6,23 por dia! Se o contribuinte não tem dependente paga xis de IR. Se tem mulher e filho, recebe do governo o valor de R$ 6,23 para sustentar cada dependente... Se conseguir alimentar-se três vezes ao dia com dois reais!!! Quantos são os brasileiros que percebem isso? É imoral!
E o "desconto" para cobrir gastos com Educação não cobrem nem dois meses de uma escola razoável, visto que a maioria das escolas públicas deixaram de ser padrão para virarem um faz-de-conta da pátria-educadora, pois são obrigadas a "aprovarem" todos os alunos. Mais um crime de lesa-pátria que terá consequências no futuro do país: milhões de cidadãos sem noções básicas para viver em sociedade, serão empurrados para a delinquência.

# Texto revisado e atualizado em 29.04.2016, às 11:52 horas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As mil faces da realidade

O Brasil está mudando, graças à Internet. O mundo está. Não é mais eficaz a estratégia da grande imprensa de manipular as informações inconvenientes aos donos do pedaço. As informações migram com sua própria força através dos portais, redes, plataformas, e-mails...

E aí, é preferível às empresas e governantes renderem-se ao fato e tirar proveito em credibilidade junto ao leitor-cidadão, do que assinar a parcialidade dos seus interesses pretendidos ocultos. 
O que não quer dizer que a mídia já esteja 100% na sua principal tarefa de buscar e divulgar a verdade dos fatos, num serviço fundamental para toda a comunidade, que, em último caso, fará seu melhor discernimento. Não é o que temos visto.
As agencias de verificação ou checagem já mostraram que são ferramentas de domínio de grupos político-econômicos. Verdadeiros ministérios da verdade, iguais aos imaginados por George Orwell no livro 1984.

Os casos de engodo orquestrado pelas indústrias de alimentos, com a cumplicidade dos supermercados, revelam que é preciso mudar para melhor. Cartelas de "dúzia" de ovos com dez unidades; embalagens padrões há tempos "memorizadas" pelos consumidores - cada vez mais apressados - também têm seus pesos "espertamente" reduzidos. Preços no sistema de código de barras se revelam maiores que os fixados na prateleira e outras safadezas enriquecem malandros de "alto nível", até então impunes em crimes cometidos contra o consumidor. A "publicidade" completa o tripé do golpe.

Desde que me entendo, o "novo" sabão-em-pó da propaganda, lava melhor, não estraga o tecido, não desbota as cores, não precisa esfregar muito, etc. e etc. Isso quer dizer que o produto anterior não era tão bom assim... Mas era apresentado como o melhor, o máximo! 
E o creme dental, com "nova composição" cheia de letras prometendo, finalmente, o melhor sorriso! Afinal, as informações que invadem todos os nossos meios de comunicação, apresentam uma meia-verdade - enfocando os aspectos positivos da questão - ou apresentam uma meia-mentira, ao sonegar informações importantes? Quem são os responsáveis por isso? Como pode ser coibido esse tipo de crime contra a economia popular?

Lembro que durante a II Guerra Mundial os soldados aprenderam a recuperar o fio das preciosas lâminas de barbear, usando um copo e um pouco de água. Em um minuto estavam afiados, simultaneamente, os dois lados das conhecidas giletes. 
Após a guerra (1945), os soldados voltaram para casa e continuaram a economizar em lâminas de barbear, a novidade se espalhou e as vendas devem ter diminuído bastante. E apareceram os aparelhos elétricos, que faziam propaganda no cinema. 
Sempre tinha a cena do "mocinho", sem tempo a perder, ligar o aparelho e fazer barba sem precisar molhar o rosto, usar pincel, fazer espuma, etc. 

Como recuperar as vendas e o lucro das fábricas de lâminas de barbear? 
Vários novos modelos de aparelho foram fabricados, mas as lâminas mais usadas eram iguais às fabricadas há décadas. 
Lançaram a lâmina embutida em plástico, o que é mais seguro, mas impede de reafiá-la para novo uso. Em vez de duas lâminas, trazia apenas uma, o que só poucos notaram. 
Após duas décadas veio a sensação do barbeador com duas lâminas paralelas, descartável, as mesmas que tínhamos no início e que nos tiraram com muita embromação publicitária.
 
No ano de 1999, após pesquisas de milhões de dólares, lançaram o barbeador com três lâminas... Aguardei chegar ao Brasil barbeador com quatro. Não chegou, mas obtive um de cinco lâminas paralelas (foto). Um verdadeiro mambo jambo em propaganda: a primeira faz tcham, a segunda faz tchum, a terceira faz... Chega, antes de dar em besteira! 

A boa propaganda envolve algo de surpreendente, mágico, hipnótico, cativante, irresistível.
 
A cada "lançamento", me vem a sensação de que fui enganado ao comprar o produto anterior. 
Quando conseguirmos parar um pouco e observar a força da informação massiva - que os mais atualizados chamam de marketing - perceberemos o quanto a ética é desprezada. 
Os exemplos estão aí. O candidato é vendido como honesto, interessado pelos problemas que afligem o povo... Sinal que as eleições vêm por aí. 
O produto transgênico é propagandeado como a salvação da humanidade... Mas os produtores resistem em informar suas origens nos rótulos. 

A nova bateria de carro, ‘selada’, lacrada, deve ser trocada quando o visor passar de verde para preto, isto é: quando por evaporação baixar o nível da solução, após uns 2 anos. O que não é dito, é que a capa de plástico da "selagem", ao ser removida, deixa à mostra as tampinhas das células que podem ser completadas com água destilada e... Eureca, a bateria volta a funcionar por mais tempo, normalmente, como antes! 

O pneu tem garantia de longa quilometragem, detalhada em um termo impresso que não informa que para fazer jus a essa garantia, em caso de dano por falha de fabricação, o usuário não pode recuperá-lo por vulcanização, mesmo que o dano ocorra no dia seguinte à compra. Tem que arranjar um estepe ou rodar sem estepe até a loja da venda. 

O banco que investe forte em propaganda cobra taxa de manutenção de milhões de contas-benefícios do INSS e de contas-salários, onde a única operação feita é de retirada, mesmo conhecendo a resolução do Banco Central isentando esse tipo de conta/movimentação de qualquer cobrança de taxas. 
A esperteza dos produtos light induz o consumidor a comprar mais e pagar mais caro por menos, por um produto diluído ou “desnutrido”, como no caso do leite em pó. 

Quantos aos cigarros de baixos-teores de nicotina, o dependente precisa fumar mais para obter a concentração de saciedade no sangue. 
E por aí vai... Tudo com muito marketing. É a ética "específica", só pra sair bem na foto.

Quando há interesse, são mencionados "os mais famosos laboratórios de pesquisas" - geralmente dos estados de Massachusetts, Connecticut, Ohio ou raio-que-os-parta - onde são produzidas notícias consideradas a mais pura verdade, "comprovadas cientificamente". 

Assim, passamos a tomar vitamina C, até onde o estômago suportar, pois foi "descoberto" que evitaria o câncer. O "descobridor", químico quântico norte-americano Linus Pauling (foto), duas vezes Prêmio Nobel, defendia o consumo diário de 6 a 18 gramas, antes de morrer de câncer aos 93 anos - o que fica o dito pelo não dito - como apontam recentes pesquisas in vitro, na Pensilvânia. Os laboratórios fabricantes melhoraram as suas saúdes financeira.

Fazemos todo tipo de dieta propalada pela mídia "ixpessializada" como sendo a definitiva. Passamos a tomar dois copos de vinho após as refeições, pois pesquisas confirmam que faz muito bem... Aos vinhateiros, pois suco de uva natural faz o mesmo efeito e o açaí da Amazônia faz melhor ainda, por ter maior concentração do antioxidante antocianina. Só não tem o apelo etílico do vinho tinto. Há também a frase que endossa a venda de todos os produtos ditos naturais: "Não faz mal, é natural!" Urtiga e veneno de cobra também é! 

Os planos de venda evitam informar claramente o que estão ofertando. Informam o número de prestações, ressaltam o pequeno valor, mas o valor da entrada está ilegível nas letras microscópicas no rodapé. Há ainda o desrespeito à inteligência do consumidor nas frases-feitas, usadas para apressá-lo a comprar. Últimas unidades! Venha logo antes que acabe! Só neste fim-de-semana! Vagas limitadas! Só falta você!

Vejo que não têm a mesma divulgação e marketing, a maravilha que é tomar um copo d'água pura, fresquinha, em vez dos detergentes gaseificados. O quanto é gostoso respirar ar puro, em vez de comprometer os pulmões com fumaça tóxica de alcatrão e nicotina, vendidos no "fino que satisfaz", para os "homens de decisão". Não é dito que o intrépido vaqueiro foi enterrado mais cedo na "terra de Mallagouro", derrubado por um câncer. 

Também não há muita divulgação para as pessoas apreciarem o pôr-do-sol, a brisa da noite, o silêncio da madrugada, a paz de um simples Natal e a felicidade de um de fim-de-ano longe do consumismo estressante... Por que será? 
Não custa nada entender o porquê, basta atentar sobre o interesse que há por trás das propagandas e questionar: "O que o interessado quer que eu saiba?" 

Enquanto as regras e leis forem feitas só para os outros, continuaremos falando em ética na propaganda, ética na política, ética na medicina, ética na justiça, etc., como se fosse um acessório a ser usado eventualmente para evitar recriminações e punições.
 
Códigos de Ética são feitos à imagem e semelhança dos autores... Até os bandidos têm!
É a reconhecida ética-de-vitrine, feita para iludir o público. Nela são utilizados belos discurso, empolgantes constituições cidadãs, investigações rigorosas, propagandas enganosas, diretrizes, programas e planos destinados a ficarem só no papel.

Considerando o prefixo es como ex, podemos dizer que a estética é a harmonia visual externa, E a ética a harmonia social interna.

Agir com Ética - com E maiúsculo - é o desafio existente em toda atividade humana. Como a civilização não é vista em sua totalidade, fica parecendo que em algumas ocasiões e em determinadas áreas é preciso agir dentro da ética. Já em outras, nem tanto. Enquanto ela não fizer parte do nosso modelo educacional e integrada à nossa cultura, continuaremos - de vez em quando - a nos sentir obrigados a agir dentro da ética.