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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Campanha por tolerância

Percebo que se deu início há meses, quando os membros das Organizações Criminosas foram presos e condenados, uma campanha sorrateira nos principais meios de comunicação pregando tolerância.

A mais recente denúncia por intolerância foi às pessoas que protestaram abertamente ante Gilmar Mendes.

A imprensa amestrada pelo poder político-econômico sempre pautou o brasileiro ordeiro, que não se revolta mesmo quando o desrespeito e o deboche dos governantes chegam a níveis insuportáveis.

Nos últimos anos, não lembro de qualquer pedido de tolerância aos governantes, quanto às agressões perpetradas nos serviços de saude, segurança, educação, contra os brasileiros não envolvidos com a corrupção sistêmica instalada há décadas, em que os recursos públicos foram vilipendiados à exaustão, deixando ao povo na penúria com esmolas.

A Justiça, manipulada por bandidos escondidos atrás das togas, especializou-se em livrar seus cúmplices das investigações e da prisão.

É isso que vem fazendo Gilmar desde os tempos da Operação Satiagraha, quando concedeu habeas-corpus na madrugada e criminalizou os agentes públicos Juiz Fausto Di Sanctis e o delegado da PF Protógenes Queiroz, que conseguiram - a duras penas - coletar indícios significativos contra os maiorais até então impunes... E continuam impunes até hoje.

Mesmo que estejam à mostra a violência, desrespeito e sofrimento com que esses criminosos agridem a população, a campanha em pauta pede que suas decisões criminosas sejam toleradas pelos cidadãos cumpridores das leis!

E quem não for tolerante pode ser investigado, como pediu Gilmar à PF. 
E assim o brasileiro vem aceitando calado que o governo Federal aumente imposto ilegalmente, usando a desfaçatez de não atualizar as Tabelas do Imposto de Renda. 

Essa malandragem que já alcançou 86% de aumento de 1996 a 2017 e muitas outras geradas pela governança, infligem cruel sofrimento ao tolerante povo brasileiro. Mas tolerância tem limite! 

Mesmo lembrando do habeas corpus dado ao médico monstro Roger Abdelmassih, apesar do alerta de fuga dado pela PF, se tiver oportunidade de ver Gilmar em algum lugar, repetirei as mesmas palavras que o então ministro Joaquim Barbosa lhe dirigiu em sessão plenária: Vossa excelência envergonha o Judiciário!


segunda-feira, 23 de maio de 2016

O Brasil mudou!


Senador Romero Jucá,
presidente do PMDB
Hoje, ficou bem visível que o Brasil mudou. Na gravação da conversa com Rogério Jucá, feita pelo interlocutor Sérgio Machado há clara intenção de um plano com todos os partidos e a Justiça, representada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para frear as ações da Operação Lava Jato. 
Fossem outros tempos, a divulgação da gravação do telefonema entre Lula e Dilma sobre o documento de posse antecipada, visando evitar uma possível prisão, seria o suficiente para os ministros do TSJ ou STF considerarem nulas todas as investigações, depoimentos e provas já obtidas e enterrar de vez a Lava Jato em cova rasa, como era comum acontecer antes da mudança. 
Foi quando um juiz e um delegado federal sofreram condenação por investigar, obter provas e prender participantes de alto escalão na organização criminosa especializada em saquear os recursos da Nação. Uma repescagem nos processos de investigação anulados pelo Judiciário, atendendo os interesses e as conveniências dos quadrilheiros contumazes, pode ser feita nas seguintes operações: Castelo de Areia, Boi Barrica, Sanguessuga, Mãos Limpas, Voucher, Sangue Frio, Navalha, Caixa de Pandora, Chacal, Satiagraha...

A Operação Satiagraha foi anulada pela 5ª Turma do STJ, que seguiu o voto do ministro Adilson Macabu, que entendeu como ilegal a convocação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para ajudar nos grampos telefônicos usados como prova, mesmo sendo a Abin um órgão de Estado.
Não se anulou somente as provas obtidas nas gravações telefônicas, mas todas as demais investigações e provas. Assim, foi suspensa a ação penal que julgava o banqueiro Daniel Dantas por corrupção ativa. O responsável pela operação, delegado federal Protógenes Queiroz, foi condenado por violação de sigilo na investigação, mesma justificativa que tentaram imputar ao juiz Sérgio Moro, por divulgar o telefonema de Lula e Dilma na véspera da posse como ministro da Casa Civil.
Os tempos são outros e o STF não só manteve a gravação como prova, como a anexou ao processo de Lula e Dilma por obstrução da Justiça! A reportagem - veiculada hoje (23) na Folha de São Paulo - com a gravação feita por Sérgio Machado em conversa com líder do PMDB Romero Jucá, mostra quanta diferença faz uma gravação.  O descaramento de Jucá, ao “traduzir” suas palavras na gravação, revela o que se pode esperar em dissimulação.
Michel Temer tem o apoio Eduardo Cunha e Romero Jucá, e agora conta também com o presidente do Congresso, Renan Calheiros, que lhe era arredio. Com companhias assim, haverá muita dificuldade para Temer fazer um governo de recuperação do crescimento, ajuste nas contas públicas, viabilizar a Previdência Social e passar o Brasil a limpo.
O processo de cassação da chapa Dilma-Temer pendente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que após a nomeação de Francisco Meireles para a Fazenda tomava o caminho do esquecimento, volta à pauta sob a condução de Gilmar Mendes.

Quanta diferença se faz notar nas decisões dos representantes das instituições da República, quando a sociedade vigilante se interessa, avalia e critica. Vamos persistir nisso!