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sábado, 20 de janeiro de 2018

Imprensa amestrada


Os milhões de reais gastos pelo governo Temer em propagandas desnecessárias e indevidas, conforme decisão da presidente do STF Cármen Lúcia, atingem os meios de comunicação no que eles têm de mais precioso: a credibilidade.

A interferência dos grupos econômicos, bancos e federações pressionam ainda mais as decisões editoriais. 

Vejo muitos noticiários culparem os deputados pelo recente rebaixamento do grau de investimento pela Stand&Poo'r, por não terem aprovado a reforma da Previdência.

Não conseguem lembrar que Temer gastou, empenhou e prometeu mais de R$130 bilhões na comprar deputados, senadores e na obtenção de apoios de grandes grupos econômicos, concedendo-lhes perdão das dívidas, Refis, redução de alíquotas e outros benefícios.

Jucá, Sarney, Renan, Moreira, Temer, Eduardo
Nem lembram também que Temer et caterva, unidos no Acordão contra a Lava Jato, propuseram Projeto de Emenda à Constituição (PEC) para acabar com a "regra de ouro" das contas públicas, que impede a União de emitir dívidas em volume superior a investimentos. Proíbe e pune quem incorre nesse crime de responsabilidade, como aconteceu com Dilma.

Essa proposta não foi a gota, foi o balde d'água que confirmou à Stand&Poo'r e a todos nós que o governo dos investigados fará de tudo para manter as mesmas Organizações Criminosas que saqueiam o País há décadas ocupando os poderes da República e conduzindo os destinos da Nação.

Em sendo assim, sobrou para os trabalhadores, pensionistas, aposentados, pequenos empresários e a população em geral a cobrirem os rombos bilionários. 
Para 2018 o Orçamento apresentado por Temer e aprovado no Congresso contabiliza um déficit de R$ 157 bilhões, dois bilhões abaixo do de 2017 com R$ 159 bilhões!!! 

Quem paga isso são aqueles que não têm poder econômico para dar "apoio" às quadrilhas e obter benefícios de retorno. O Robin Hood dos endinheirados.

E muitos ainda não entenderam porque Temer sancionou o Refis para as grandes empresas e vetou o Refis para as pequenas empresas!!! Nem precisa desenhar.

E a imprensa chapa-branca passa ao largo dessas questões. Afinal, onde estão os verdadeiros editores, jornalistas e comentaristas?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Acordão dos corruptos

Depois que os membros da Organização Criminosa, que vêm saqueando os recursos públicos há décadas, perceberam que a quantidade de informações já obtidas pela força-tarefa da Operação Lava Jato é suficiente para condenar mais da metade dos políticos que ora atuam ou atuaram nos últimos 20 anos no Congresso, nos governos de estados, prefeituras, nas câmaras estaduais e nas assembleias municipais, arquitetaram um plano de salvação - chamado de Acordão - envolvendo todos os partidos políticos, instituições e empresários corruptos, para barrar as investigações e suas consequências: prisão, multa, confisco dos bens e, em alguns casos, perda dos direitos políticos.


Esse Acordão espúrio está em andamento há três meses, tomou folego e acelerou após: o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a cassação de Eduardo Cunha, o indiciamento do ex-presidente Lula réu em três processos, as delações premiadas de participantes da OCrim em postos elevados e as gravações realizadas por Sérgio Machado, ex-Transpetro, com Sarney, Renan, Romero Jucá, que revelaram os principais quadrilheiros da cleptocracia instalada há tempos na República do Brasil. 

O objetivo do Acordão é travar a Lava Jato e manter o sistema político que tem permitido o saque sistemático ao tesouro Nacional e aos recursos da Nação, com todas as garantias de impunidade.


Várias ações e atitudes foram tomadas para barrar as investigações, prisões e condenações que a Operação Lava Jato está realizando de forma competente:


1. A Organização Criminosa contra a Lava Jato - os ministros, políticos, juízes, desembargadores e líderes de órgãos de classe, advogados, ex-presidentes, etc. iniciaram uma enxurrada de declarações e denúncias, desqualificando seus condutores e condenando a forma de conduzir seus trabalhos...


2. Ministros, juízes, desembargadores promoveram a libertação de vários presos, desafiando decisão tomada em fev/16, confirmada em 30.09.16 pelo STF, de que a prisão de condenado em 2ª instância não fere o princípio constitucional de presunção de inocência constante no artigo 5°, LVII da Constituição, determinando que: “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”.

Em julgamento histórico o STF manteve o cumprimento da prisão após condenação em 2ª instância por 6 votos a 5. 

Foi por pouco, mas graças a Deus, os canalhas defensores da impunidade para os criminosos endinheirados foram derrotados.


3. O governo Temer tirou de pauta o projeto de lei popular com 10 medidas contra a corrupção. Não há interesse de sua aprovação e, por isso será adiada até o esquecimento... Se a sociedade deixar


4. Discurso do governo Temer de unificação nacional e recuperação da economia é na realidade, a união será entre os corruptos investigados, citados ou ameaçados pela Lava Jato.



5. Emissão pelo governo Temer da Proposta de Emenda Constitucional n° 241 para, inacreditável, fazer cumprir as leis de responsabilidade já existentes. É a lei que já se dizia que estava faltando: uma lei para obrigar a todos cumprir as leis!!! Caso seja aprovada, a PEC manterá deficitário os orçamentos dos próximos 20 anos, se a arrecadação não crescer R$ 170 bilhões em 2017. 

Adicionar legenda
Revela ser mais um show de pirotecnia e desinformações para preencher os espaços na mídia e criar o ambiente de "esforço conjunto" dos governantes - incluindo parlamentares e as altas cortes do Judiciário.


6. A "pulverização" da Lava Jato, com desmembramento da investigação da corrupção na Petrobras, em processos individuais para cada partido político!!! Agora teremos no lugar de uma declaração dos procuradores, várias entrevistas que deixarão o assunto dormitar até o esquecimento...


Os cidadãos antenados com a realidade atual percebem muitas outras medidas e propostas visando paralisar o trabalho da força-tarefa coordenada pelo juiz Sérgio Moro (foto), e impedir a recuperação do País aos brasileiros, aos homens de bem, aos políticos de caráter e governantes conscientes de que a certeza da impunidade já não é regra institucional... Onde o Congresso, que é principal órgão de fiscalização, passará a cumprir o seu papel. 

Toda atenção ainda é pouca! 


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os criminosos avançam

Enquanto os cidadãos brasileiros são confundidos com as movimentações erráticas do governo Temer, a Organização Criminosa avança contra a Lava Jato e tudo o mais que possa resultar na prisão dos seus membros e no sequestro dos bens adquiridos com a corrupção.

Para barrar essa crescente indignação contra a corrupção endêmica implantada por esses criminosos, estão sendo utilizadas as estratégias constantes nos manuais de comunicação e mobilização de Gramsci, Lenin, Trotsky, Goebbels, Stalin, sem que a maioria das pessoas percebam.

Lançar nas mídias mentiras, ameaças, discursos absurdos, inconsistentes e acusar os adversários de cometerem os crimes que estão cometendo, faz parte. Enquanto os adversários se ocupam em desmentir, refutar, argumentar e provar que não são eles os criminosos, não têm tempo para expandir as provas e informações sobre outros crimes em andamento. 

Há dois meses, está em execução o "acordão" fechado entre os principais partidos políticos (PMDB, PT, PSDB, DEM, PCdoB, PP, PR, REDE...), para estancar as investigações da Lava Jato e das demais operações que estão conseguindo punir criminosos instalados nos mais altos postos dos três poderes da República.

A gravação de Sérgio Machado com Romero Jucá, presidente do PMDB, revela o as entranha do Acordão:

MACHADO – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.

JUCÁ – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.

MACHADO – Odebrecht vai fazer.

JUCÁ – Seletiva, mas vai fazer.

MACHADO – Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […]

JUCÁ – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria. […]

MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.
MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.


Veja algumas providências e atitudes tomadas pelos quadrilheiros, para estancar as investigações na Lava Jato e nas demais operações:

1. Impeachment de Dilma Rousseff (PT), com "fatiamento" à moda Lewandowski da punição única, que a permitirá ocupar cargos públicos e, com pequenos "ajustes" adicionais, concorrer às próximas eleições.


2. União dos políticos para aprovar medidas que darão suporte ao governo Temer no combate à inflação, com desenvolvimento e redução de desemprego.

3. Irrigar as contas dos políticos e de seus chefes e padrinhos, através de concessão de cargos, negociação da dívida dos Estados (PL-257), empréstimos especiais via BNDES, CAIXA, BB, e, claro, dinheiro vivo do caixa 2 entocado em algum lugar. 

4. Atacar, acusar e desqualificar o trabalho realizado pelas forças-tarefas da Lava Jato e demais operações em andamento.

5. Manter as Cortes Supremas sobrecarregadas para impedir o andamento das ações contra os membros da Organização Criminosa. Inclui-se aqui a votação do recurso contra a chapa Dilma-Temer, por uso de caixa 2 na campanha de 2014, pendente há meses no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

6. Aprovar mudanças nas Leis que podem ameaçar a impunidade existente. Faz parte desse item o PLC- 241 e o "fatiamento" do Artigo 52, parágrafo único da Constituição Federal.

7. Deixar fora da pauta o projeto de lei com as 10 medidas contra a corrupção, a pedido do governo Temer (PMDB). Esse fato é denunciador por si mesmo

8. Manter no STF entendimento de prisão do réu só após trânsito em julgado.


9. Aprovar lei que anistia os políticos e partidos que cometeram o crime de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de propinas nas campanhas eleitorais. Isso foi tentado ontem na Câmara, não prosperou por reação veemente de deputados comprometidos com o País.

A mobilização da Organização Criminosa se estende também aos principais órgãos e instituições democráticas (Legislativo, Judiciário, Executivo), à imprensa dependente e às mídias sociais com violência velada ou explícita em batalha de vida ou morte.


Em evento da Associação Brasileira de Direito Tributário (Abradt) dia 16/9, em BH, o ministro Toffoli declarou:
O Judiciário exerce hoje o poder moderador das crises brasileiras que, antigamente, cabia às Forças Armadas. No entanto, não pode exagerar no seu ativismo, senão vai ter o mesmo desgaste dos militares. Se criminalizarem a política, passarem a achar que o sistema judicial vai moralizar a sociedade brasileira, batendo palmas para doidos dançarem, vamos cometer o mesmo erro que os militares cometeram em 1964 ao assumir o poder.¹ Se quisermos ser os protagonistas da sociedade, temos que refletir se desejamos fazer operações que têm 150 mandados de busca e apreensão em único dia, que têm sentenças aditivas. Isso leva a um totalitarismo do Judiciário. Isso é democracia? Isso é Estado Democrático de Direito?
Toffoli recorre à tese de que há um complô de perseguição para "criminalizar a política", quando o que ocorre atualmente é criminalizar - e punir - aqueles políticos que cometeram crimes de lesa-pátria que ficariam impunes, se não houvesse conscientização do povo contra os quadrilheiros dos partidos políticos.
As informações obtidas até agora, pelo MPF, PF e Justiça, já são suficientes para prever que muitos dos que aí estão posando de democratas e defensores do povo serão presos, multados pelos danos causados e terão seus bens confiscados até o valor roubado, durante todos esses anos de impunidade.

Um dos principais operadores do Acordão, o presidente do Senado Renan Calheiros do PMDB, vem fazendo comentários desqualificando os procuradores do MPF, que denunciaram Lula, Letícia, Okamoto e outros. Com cerca de seis processos no STF, Renan trabalha no acordão em defesa própria. 

Em situação semelhante, há poucos anos, Renan renunciou o mandato para manter os direitos políticos. Isso permitiu ser eleito, voltar à presidência do Senado e a praticar os mesmos crimes, com a desenvoltura de sempre.

Também seria beneficiado com o acordão o atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), que na delação premiada de Marcelo Odebrecht, foi acusado de receber R$ 23 milhões em contribuições na campanha de 2010 — parte no Brasil, parte em contas no Exterior.

Outro interessado em “chegar à outra margem” ´é o senador Aécio Neves (PSDB), sob investigação por causa do esquema de propinas em Furnas e suspeito de interferir nas investigações do mensalão petista, com o objetivo de poupar aliados. Aécio pode ser delatado por executivos da OAS por receber, através de Oswaldo Borges da Costa Filho, propina de 3% na parte da Cidade Administrativa que coube à empreiteira construir.
O acordão em Brasília beneficiaria especialmente o PMDB: executivos da Odebrecht podem delatar repasse de R$ 10 milhões - a pedido de Michel Temer  - na campanha de 2014. Uma acusação formal contra ele pode por abaixo todo o governo
Pelo menos uma denúncia de acordão, foi feita por ex-integrante do governo Temer, Fábio Medina Osório, defenestrado da Advocacia Geral da União (AGU). Quando ainda estava sendo fritado por boatos sobre sua demissão, ele resumiu: “É uma série de ataques que estamos sofrendo. Coincidentemente, logo agora, após havermos ajuizado ações bilionárias contra uma série de empreiteiras, no montante de R$ 12 bilhões para recuperar ativos dos cofres públicos. E no momento em que estamos reforçando a equipe da AGU para combater a corrupção, na Operação Lava Jato”.

Não vamos deixar os criminosos agirem impunemente no Brasil.

Notas:
1. Veja mais no link http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/09/o-que-esta-por-tras-do-acordo-para-acabar-com-a-lava-jato.html 
2. Veja mais no link http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/09/o-que-esta-por-tras-do-acordo-para-acabar-com-a-lava-jato.html

* Texto veiculado em 23.9.16 no site MIGALHAS < http://www.migalhas.com.br/Leitores/245879 > sob o título "Governo Temer".

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Sistema corrupto

As últimas revelações vêm mostrando o que impede o Brasil de se tornar um país desenvolvido e justo com seus cidadãos. Os protagonistas da governança atuam descaradamente para obterem vantagens e privilégios, causando imenso prejuízo econômico, político, social e moral que tanto penaliza seu povo. 

Entendo que a remoção desses criminosos depende do Supremo Tribunal Federal (STF) e a reforma a ser feita no sistema de governo para evitar reincidências requer atuação crítica da sociedade lúcida, a propor medidas a serem tomadas para isso. 

As 10 proposições do Ministério Público Federal (MPF), que está paralisada no Congresso Nacional, mostram-se insuficientes para evitar que a organização criminosa em atividade continue a saquear os recursos da Nação para seus interesses escusos.

A prisão do agente da polícia federal condenado em 2003, conhecido como "japonês da federal", no dia de ontem (8/6), só foi feita devido a evidência que obteve na mídia e após esgotado todos os recurso legais. Isso é a prova do caos no Judiciário, atolado nas leis aprovadas por um Congresso permanentemente leniente com a corrupção, que legisla abertamente em causa de seus próprios interesses criminosos, sem que isso mereça a autuação dos órgãos defensores das regras constitucionais. E se as leis e a Constituição atrapalham seus "negócios", um acordão entre partidos faz a mudança das regras.¹

Em tempos olímpicos, o editorial de The New York Times utilizou vergonhoso título - Medalha de ouro para a corrupção no Brasil - para apresentar a origem dos males crônicos do país, e as últimas revelações mostram o que de fato impede o Brasil de se tornar um país desenvolvido e justo com seus cidadãos. Os protagonistas da governança atuam descaradamente para obter vantagens e privilégios, causando imenso prejuízo econômico, político, social e moral que tanto penaliza seu povo.

Entendo que a remoção desses criminosos depende, basicamente, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ajuste a ser feito para evitar reincidências requer atuação da sociedade lúcida, denunciando e lutando por medidas para que isso se concretize. As 10 proposições do Ministério Público Federal (MPF), paralisada no Congresso Nacional, mostram-se insuficientes para evitar que a organização criminosa em atividade continue a saquear os recursos da Nação para seus interesses escusos.

Está claro a todos, que os Partidos Políticos e o Congresso Nacional são as instituições que abrigam a maioria desses criminosos. Mas até agora nenhum partido sofreu indiciamento ou condenação. É o descompasso entre a realidade e a Justiça que alimenta a cultura da impunidade, da corrupção e da imoralidade na política e em quase tudo no Brasil.

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Notas: 

1. Em comentário de agosto de 2000 eu já denunciava o uso criminoso de mudar as leis para facilitar os crimes contra a Nação e seu povo. Leia na íntegra, a seguir.


AJUSTANDO AS LEIS

                                                                            José Renato M. de Almeida

Houve um tempo em que ficávamos indignados com os crimes praticados
na surdina pelos abastados, autoridades e amigos do rei, por não serem divulgados pela grande imprensa... Tempo em que eram divulgados, mas não eram investigados... Tempos em que até eram investigados, mas os culpados nunca eram punidos...

Agora, os crimes cometidos pelos políticos e autoridades constituídas dos
três poderes da República, são de pleno conhecimento de todos mas, mesmo assim, nada acontece com os suspeitos. 

Os resultados obtidos nas investigações e processos não vão além de choros, justificativas atrapalhadas, pedidos de desculpas em emocionantes discursos, engavetamento de processo, esquecimentos seletivos, extinção por decurso de prazo, liberação pelos tribunais e, finalmente, pagamento de indenização ao acusado, pelo Tesouro Nacional, por danos físicos, morais, psicológicos, constrangimentos e o que mais for imputado contra os investigadores. 

O atual sistema político-institucional brasileiro vem sendo montado há tempos, de modo que os detentores do poder político e econômico não sejam 

Mesmo assim, uma nova lei está no forno para reparar as últimas brechas que possibilitaram destemidos investigadores indiciar parlamentares e nomes importantes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, ameaçando-os até de condenação. Um deus nos acuda nos meios institucionais brasileiro.

Essa nova lei, urdida no Congresso Nacional, limitará as investigações e a
competência da Polícia Federal e do Ministério Público. Melhor, remeterá aos
tribunais ditos superiores, todos os processos contra pessoas consideradas
"acima de qualquer suspeita". Pretende-se assim acabar com os
constrangimentos a que foram submetidos cidadãos especiais envolvidos nas
inúmeras falcatruas, descobertas nesses últimos anos.

A campanha "popular" para o fim da CPMF faz parte do pacote. Esse imposto tem o “grande defeito” de indicar por onde andou e onde anda o dinheiro... A opção para reduzir o índice de incidência de 0,38 para 0,10% - mantendo-o mais como meio de investigação do que propriamente de arrecadação - não é considerada por nenhuma das sumidades do governo. 

E, convenhamos, circular dinheiro em espécie em malas, mochilas, caixas, cuecas, meias, etc. não é muito confortável.

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Em tempo: Este comentário foi veiculado na coluna Espaço do Leitor do jornal A TARDE de 07.08.2000, terça-feira, sob o título Impunidade reinante.