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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ajuste no caos


Os governantes brasileiros parecem avessos a planejamento, fiscalização e acompanhamento da execução de serviços e projetos de sua responsabilidade. São eles os maiores usuários do gerúndio inconclusivo em suas explicações e justificativas: estamos providenciando licitação para...; estamos preparando o contrato para..., já estamos comprando..., estaremos concluindo no fim do ano..., no próximo ano... 

Por essas e outras é que todo cidadão de bem precisa estar atento e conhecer às pendências cruciais de providências necessárias para se evitar o retorno ao sistema político que institucionalizou a corrupção nos três poderes da República. E de que são necessários tempo e empenho para que as engrenagens - livres de corrupção, incompetência e chantagem - entrem em funcionamento dentro da normalidade, em um Brasil renovado em todos os aspectos. 

Até agora, as investigações, prisões e condenações das Operações Lava Jato, Acrônimo, Zelotes, etc. não mudaram em quase nada esse sistema que vem locupletando á décadas os políticos e seus cúmplices. Quando muito, deixaram os criminosos cientes de que a impunidade não é mais regra... 

Políticos unidos contra a Lava Jato

Por enquanto! Pois os membros da organização criminosa que tomou as governanças no Brasil, já estão fazendo de tudo para na calada da noite aprovar projetos de lei e de emendas constitucionais que vão permitir reverte as apurações-punições e conceder anistia aos políticos que usaram caixa 2, além das novas "facilidades legais" à impunidade, como a denúncia por abuso de autoridade e constrangimento ilegal aos suspeitos endinheirados que chegarem a ser investigados, presos e julgados daqui para frente.

É isso mesmo: se chegarem a ser investigados porque, além de ameaçarem qualquer servidor do Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal, Tribunais de Conta, etc. - que ousar cumprir mandatos, prisões ou realizar investigações, essas novas propostas de lei vão desacreditar as instituições tolhidas.

Para mudar a cleptocracia instalada atualmente na governança do País, e que continua operando a todo vapor, serão necessário tomar algumas providências básicas pendentes e sempre adiadas, considerando os recurso disponíveis, onde o tempo é um dos recursos mais voláteis. 


Vejamos as principais:

1. Implantação do voto impresso pela urna eletrônica para as eleições de 2018, permitindo a certificação do sistema e possibilidade de auditagem em caso de falhas no sistema ou suspeitas de fraudes;

2. Reforma das Previdências Social (INSS), dos Servidores Públicos, dos Militares e dos Regimes Especiais (!?) para obter o equilíbrio nos cálculos atuariais entre valores de contribuição versus valores dos benefícios;

3. Ação, execução e emissão de relatórios por parte dos órgãos de fiscalização e controle de gastos públicos dentro do prazo. Capacitação dos parlamentares em planejamento, orçamento e controle das contas públicas.  (O Congresso não votava há 20 anos, os relatórios do TCU com análise e parecer das contas de governo!)

4. Permitir que as investigações realizadas pela força-tarefa da Operação Lava Jato e similares, sejam prorrogadas pelo tempo que for necessário para apurar, julgar e condenar os crimes de corrupção cometidos há décadas contra o erário, mas que não haviam sido investigados devido aos esquemas de impunidade articulados pelos criminosos instalados nos poderes constitucionais da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), suas instituições e nos partidos políticos, transformados em feudos por seus "donos".

Somente com a conclusão dos principais processos de investigação contra criminosos da alta cúpula ora em andamento - e das que surgirem ao longo desse tempo - será possível estabelecer as condições mínimas para que o Brasil tenha, finalmente, um sistema político partidário que não incentive nem permita o saque fácil aos cofres públicos ou fomente a impunidade institucional.

O juiz federal Sérgio Moro faz fé de que o Brasil sobreviva a isso. 

Nós também!

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# Assista vídeo em que o juiz Sérgio Moro lê discurso de Theodore Roosevelt ao Congresso norte-americano em 7 de dezembro de 1903condenando os crimes cometidos pelos políticos corruptos: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/10/em-video-moro-comenta-discurso-de-roosevelt-sobre-corrupcao.html

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ajustando o foco

A Folha de São Paulo divulgou ontem (29.11) o resultado de uma pesquisa de opinião*. Pela primeira vez, desde 1996, a corrupção aparece como o maior problema para os brasileiros que se defrontaram com a seguinte questão: 
Qual é o maior problema do Brasil?


- Corrupção: 34%
- Saúde: 16%
- Desemprego: 10%
- Educação: 8%
- Violência/segurança: 8%
- Economia: 5%
Parece que estamos chegando lá! 
Antes, eram mencionadas a Saúde, Educação, Segurança como os maiores problemas do país. Agora mudou!
Finalmente, os cidadãos brasileiros estão se conscientizando de qual é a origem dos problemas do Brasil. Creio que dentro de mais algum tempo a maioria vai perceber que a corrupção é apenas consequência do Sistema de Governo implantado pelos Partidos Políticos, dominados pelos quadrilheiros tupiniquins e associados externos.
As investigações pacientes e criteriosas da Operação Lava Jato está revelando a todos, que o atual Sistema de Governo permite que os crimes sejam cometidos com facilidade pelos governantes. Quando descobertos, são abafados. Quando não são julgados e inocentados. Se entretanto são condenados, aí então faz-se uma lei para que o crime seja descriminalizado ou que tire o criminoso da prisão.

Como qualquer sistema de governo democrático, é necessário que a população esteja presente nas decisões legais e acompanhe a política, inclusive quanto a vontade do eleitor pelo voto nas eleições - sem fraudes - com a implantação do voto impresso. Caso contrário, os grupos de poder tomam conta dos recursos da Nação e usufruem a seu bel prazer, para se manterem no poder, enricar os chefões e apaniguados.

Só assim, o estagiário André Esteves, em quatro anos, vira sócio de um banco (BTG Pactual), comprado pelo banco na Suíça (UBS), que tem a conta de Romário no UBi. Para isso os bilhões do BNDES fluíram com facilidade até para empresa falida, levando o estagiário à presidência do banco. O UBi é o ramo do banco para investimentos que emitiu documento que nega existência da conta de Romário. Faz sentido. 
Nesse embalo, Luiz Cláudio, tratador de animais do zoológico, abre a empresa LFT Marketing Esportivo que, mesmo sem ter funcionário, faturou R$ 2,5 milhões em contrato de consultoria, colando textos obtidos de arquivos na Internet. 

Só com uma Reforma Política de fato, gerada a partir de propostas que estão entaladas na garganta de todos os brasileiros de bem, é que o país poderá ajustar o tamanho do Estado e os serviços públicos aos recursos disponíveis.
Ocorreu, nesses últimos anos, que os governantes se apoderaram dos recursos em benefício aos seus próprios interesses. E, para cobrir os rombos que se abriam a cada ano, aumentaram os impostos daqueles que pagam.

Conclusão: à medida que identificamos o agente gerador de problemas e o diferenciamos das consequências geradas por ele, deixamos de debater coisas periféricas e focamos no que é fundamental.
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* O Datafolha ouviu 3.541 pessoas em 185 municípios de todo o País. A margem de erro é de dois pontos percentuais.