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domingo, 24 de janeiro de 2016

MP703/15, leniência sob medida

Em 23.12.15 a governanta Dilma assinou a Medida Provisória 703¹ alterando a Lei nº 12.846, conhecida como Lei Anticorrupção, promulgada em 1º de agosto de 2013 logo após manifestação nas ruas do País e que vem sendo aplicada com eficácia nos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação das quadrilha investigados pela Força Tarefa da Operação Lava Jato.
Publicada às pressas no DOU de 21.12.2015, a MP dá às empresas corruptas um presente de Natal que deve render polpudos ptchuleco$ à conhecida organização criminosa instalado no governo petista. Pelo visto, pode ter sido mais uma MP comprada do governo, para o alívio dos "amigos" às condições pertinentes existentes na Lei 12.846.
Nessa lei há uma condição especial para a primeira empresa que assinar o acordo de leniência: reduz pena, dispensa de multas e outros desembolsos. As demais empresas envolvida na investigação, que quisessem fazer acordo de leniência, já não contam com esses incentivos. São os corruptos legalizados.

A intenção desse dispositivo é apressar assinaturas do primeiro acordo de leniência e, a partir daí, acelerar as investigação e reduzir custos.
Com a MP 703/15 esse incentivo à primeira delação deixou de existir. O acordo de leniência pode ser feita entre o controle interno do órgão estatal investigado, sem o envolvimento do Ministério Público e da Advocacia Pública. Cópia do processo é enviada ao tribunal de contas após sua conclusão, o qual poderá discordar ou não. Muito conveniente para as empresas e os órgãos investigados no silêncio das corporações. E assim, as empresas podem denunciar qualquer delito menor, pagam e ficam livres das investigações. Basta lembrar que, todas as auditorias e investigações internas feitas pela Petrobras sobre a sangria feita através dos contratos bilionários, deu em nada!

Essa alteração foi feita em flagrante conflito ao artigo 62 da Constituição, que proíbe a edição de MPs sobre direito penal, processual penal e processual civil, cabendo questionamento de sua inconstitucionalidade junto ao STF. 
Entretanto, o Supremo poderá votar pela constitucionalidade da MP!
Já vimos isso no julgamento do procedimento para o processo de impedimento da presidente Dilma, que anulou a votação secreta que elegeu por 272 votos a 199 a chapa alternativa com 39 deputados para compor a Comissão do Impeachment, com um total de 65 deputados, conforme estabelece Regimento Interno da Câmara. E assim, anulou todo o procedimento ali realizado.
É certo que se não houver mobilização significativa e decisiva nos próximos protestos contra a corrupção e a incompetência do governo Dilma, o STF assumirá por atração óbvia a desmoralizante atitude de ser apenas um "puxadinho" do PT.
O governo petista e seus dependente$ se esforçam de todas a maneiras, falácias e contorcionismo literário, para demonstrar que a MP 703/15 é um aprimoramento da Lei Anticorrupção, que permitirá a retomada do crescimento, com o retorno operacional da empreiteiras sob investigação, blá, blá, blá...
Tentou culpar a Operação Lava Jato pela paralisação das obras em andamento, pelo desajuste fiscal, déficit orçamentário, descontrole da inflação, alta da taxa de juros, desemprego recorde, queda de atividade nas indústria e no comércio, queda do PIB, da arrecadação de impostos, taxas, etc... Não deu certo. Só a organização criminosa parece ainda "acreditar" nisso!
Culpar a Lava Jato pela paralisação dos contratos das empreiteiras investigadas é tentar encobrir a estratégia escolhida pelo governo para implantar o caos no País, vislumbrada por nós bem antes do Le Monde. As empreiteira​s​ pararam porque a fiscalização permitiu. ​Permitiu porque são cúmplices.

Exemplo disso, está no artigo veiculado no jornal A TARDE de 20.1.16 "Lei Anticorrupção na berlinda", da professora Karla Borges do Instituto Latino-americano de Estudos Jurídicos (Ilaej), ao qual fiz o comentário "Corruptos legalizados" veiculado no Espaço do Leitor do mesmo jornal.
Colo ambos a seguir, para conhecimento e melhor avaliação. 
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Nota:
1. A quantidade de 703 Medidas Provisórias emitidas até 21 de dezembro de 2015, confirma a prodigalidade do Executivo na emissão de ordenamentos legais de "urgência", com a conivência do Legislativo. Isso pode resultar em ptchulecos, como no caso denunciado das automotivas beneficiadas com a prorrogação da redução do IPI. Investigações levantaram que os texto das MPs eram preparados pelos próprios beneficiados!




domingo, 17 de janeiro de 2016

Gangsters no poder

Celso Daniel, assassinado em 18.01.2002.
Há 14 anos, no dia 18 de janeiro de 2002, o prefeito Celso Daniel de Santo André-SP, foi sequestrado na Zona Sul da capital, quando voltava de um jantar com Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. Dois dias depois foi encontrado morto com oito tiros em uma estrada da região metropolitana de São Paulo. Na época, Celso Daniel era o coordenador da campanha eleitoral de Lula.
Esse assassinato demonstra que a organização criminosa do PT já existia bem antes dos esquemas do mensalão, petrolão, Carf, etc. O modus operandi é o mesmo! Após perícias, investigações e depoimentos de testemunhas, o Ministério Público e a Polícia descobriram que Sérgio, o Sombra, contratou Dionísio de Aquino Severo - resgatado antes de um presídio em Guarulhos, onde cumpria pena - para recrutar os demais do grupo que mataria Celso Daniel, fazendo parecer crime comum: sequestro seguido de morte. Resgate com helicóptero requer gente graúda na área!!!
Celso Daniel, coordenava campanha de Lula 
A partir daí, inúmeros acontecimentos confirmam a organização criminosa que já existia no PT. 
Em abril de 2002, Dionísio Severo foi morto, antes de depor. O comparsa Sérgio "Orelha", que abrigou Dionísio nos dias seguintes ao sequestro, foi metralhado em novembro de 2002, logo após a eleição de Lula no segundo turno em outubro.
O investigador de polícia Otávio Mercier, que ligou para Dionísio na véspera do sequestro, também foi assassinado.
Em fevereiro de 2003, morreu o garçom Antonio Palácio de Oliveira, que serviu o jantar do prefeito com o Sombra no dia do sequestro.
Em dezembro de 2003, o agente funerário Iran Moraes Redua, primeiro a identificar o corpo do prefeito, foi assassinado a tiros.
O inquérito policial concluiu que Celso Daniel foi assassinado após sequestro desastrado realizado por uma quadrilha. O promotor de Justiça Roberto Wider Filho, que investigou a morte de Daniel, contesta a versão da polícia e afirma que o assassinato do ex-prefeito foi encomendado por quadrilha responsável por esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André, com objetivo de levantar recursos para financiar campanhas eleitorais do PT (Partido dos Trabalhadores). Dinheiro do esquema foi encontrado pela polícia no apartamento de Celso Daniel. Para ele, a investigação policial foi “incompleta” e deixou de apurar as “verdadeiras razões da morte”.
Velório de Celso Daniel
Em 2004, José Dirceu, na época presidente do PT, e Gilberto Carvalho, então secretário de governo em Santo André e braço direito de Celso Daniel e depois secretário-geral da Presidência da República no governo Lula, não foram investigados pelo Ministério Público (MP) por força de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual o ministro Nelson Jobim considerou que a promotoria não pode realizar investigações criminais. Se qualquer cidadão pode denunciar crimes, por que não o Ministério Público!!! 
Em novembro de 2010, Marcos Bispo dos Santos foi condenado pelos jurados a 18 anos de prisão.
Em maio de 2012, foram levados a juri popular os demais participantes da quadrilha da favela Pantanal, na divisa da capital com Diadema: Elcyd Oliveira Brito, Itamar Messias da Silva Santos, Ivan Rodrigues da Silva, José Edison da Silva e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira.
Em 2012, o empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, amigo de Celso Daniel e uma das figuras mais importantes dentro da quadrilha petista em Santo André, foi a júri popular em um processo diferente, já que foi acusado de homicídio triplamente qualificado.
Ronan Maria Pinto volta a ter o foco do MP/SP.
Por participação no esquema, o MP também moveu uma ação por improbidade administrativa contra Klinger Luiz de Oliveira, então secretário de Serviços Municipais; e os empresários Ronan Maria Pinto, Luiz Marcondes Júnior e Humberto Tarcísio de Castro.
Em novembro de 2015, sentença da 1.ª Vara Criminal de Santo André (Grande São Paulo) condenou os empresários Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Ronan Maria Pinto, além do ex-secretário de Serviços Municipais da cidade, Klinger Luiz de Oliveira Sousa, acusados de liderar esquema de cobrança de propina de empresas de transporte contratadas pela Prefeitura na gestão do prefeito do PT Celso Daniel.
Ronan Maria Pinto foi condenado a 10 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado, e pagamento de multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa, por várias vezes.
Sérgio Gomes da Silva e Klinger Luiz de Oliveira Souza a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de multa pelos crimes de concussão, corrupção passiva, por várias vezes. Todos ainda poderão recorrer da sentença de condenação. 
Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão 
Nestor Cerveró, marcado para morrer na fuga
Em janeiro de 2016, após 14 anos, com os depoimentos obtidos de Marcos Valério, Nestor Cerveró e Carlos Bumlai nas investigações realizadas pela Força Tarefa da Operação Lava Jato, coordenada pelo juiz Sergio Moro, ressurge o nome do empresário Ronan Maria Pinto, como recebedor de R$ 6 milhões, pagamento de chantagem contra Lula, Dirceu e Gilberto Carvalho. Ronan, ainda mantém empresa de coleta de lixo na região de Santo André-SP e é dono do Diário do Grande ABC, cujas ações foram compradas com os R$ 6 milhões obtidos na chantagem.


Carlos Bumlai, tomou empréstimo de 12 milhões.
Cerveró, também ampliou o panorama do esquema ao informar que entre 2009 e 2010 houve uma ordem do então ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA), para atender a proposta que o Banco BVA fez à Petros, para aplicar em um fundo de investimento do banco em um negócio considerado "de grande monta". Isso foi sendo feito, mas passado alguns anos o banco faliu e a Petros perdeu todo o dinheiro investido. O fundador do BVA, José Augusto Ferreira dos Santos, foi sócio de uma das empresas envolvidas na "máfia do lixo" de Santo André, que resultou no assassinato do prefeito Celso Daniel. Quanta coincidência! 
Agora, o Ministério Público paulista pretende requisitar informações ao juiz Sergio Moro sobre empréstimo fraudulento feito por Bumlai e analisar as implicações que podem ter com o crime ocorrido em Santo André em 18 de janeiro de 2002, segundo declarou a promotora Sirleni Fernandes da Silva, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do ABC paulista. 

Demorou! Mas já dá para ver que o esquema criminoso do PT tem raízes mais profundas do que imaginávamos. Vai requerer especial empenho das instituições da República para conseguir extirpar do meio político democrático do País essa quadrilha. É preciso que mais pessoas de bem se disponha a combater e punir os crimes dessa organização de gangsters e de seus aliados.

Juiz Sergio Moro da Justiça Federal - Paraná

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Pontas soltas

Cúpula dos governos petistas sob investigação
As investigações da Operação Lava Jato e Zelotes acumulam depoimentos e informações há mais de um ano, quando começaram a ser utilizadas para pender e condenar os participantes do maior esquema de corrupção no Brasil. Por excesso de medidas a tomar, esquecimento ou estratégia, muitas questões vão ficando sem as ações necessárias para o devido esclarecimento, apuração e punição aos bandidos. 
A seguir lembramos de algumas delas:



1. A Polícia Federal obteve nos arquivos do senador Delcídio do Amaral o depoimento do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. Como ele o obteve?

Bumlai, mui amigo do rei




2. O pecuarista Bumlai, amigo de Lula, detalha o empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin em 2004 para o caixa 2 o PT e para calar o chantagista Ronan Maria Pinto, que ameaçava envolver Lula, Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato do prefeito Celso Daniel. 
Por que o chantagista não foi chamado a depor?


Ministro Luís Barroso


3. Ainda no ambiente surreal do STF, o ministro Luís Roberto Barroso omitiu texto do Regimento Interno da Câmara que invalidava toda sua argumentação.
Quem aplicará sanção ao ministro por esse desvio de caráter e de função? ¹


4. No STF, em bate-boca entre o ministro Gilmar Mendes e seu presidente Ricardo Lewandowski, ficou sem esclarecimentos a suspeita lançada por Gilmar: "Não sou de São Bernado (do Campo) e não fraudei eleição". Qual eleição fraudou Lewandowski?



5. As empreiteiras, seus presidentes, diretores e executivos foram condenados à prisão e multas. Por que até hoje apenas os executivos do PT foram condenados, enquanto o partido como pessoa jurídica permanece intocado, mesmo com  os ministros do STF e o procurador-geral da República dizendo em diversas ocasiões que o PT é uma organização criminosa? E o TSE permanece em silêncio ensurdecedor. Até quando?
Semelhanças no desfrute

Para obter apoio parlamentar, os governos de Lula e Dilma usaram e continuam a usar o esquema do mensalão, agora de forma "oficial" com concessões de ministério, secretarias e estatais. 
O esquema de corrupção se aproveita do sistema político em vigor no país, onde o poder Executivo tem chave do cofre e os órgãos de fiscalização são coniventes por medo e/ou interesses particulares. 
O Congresso Nacional, principal órgão fiscalizador, se tornou um balcão de negócios do mais descarado toma-lá-dá-cá. O interesse maior é pelas áreas que detém orçamentos elevados. Agora ficou exposto o leilão que Lula e Dilma fizeram - e continuam fazendo - para obter apoio político.² O aparelhamento do Estado é fato e as entregas de ministérios, secretarias e empresas estatais é feita com "porteira fechada".
Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras

A oposição está contaminada pela compra explícita de parlamentares, implantada pelo governo petista no mensalão, mantida até hoje. Persiste, porém, essas questões que estão no ar com muita possibilidade de aterrizar em breve nas pautas jornalísticas, com consequências relevantes ao povo brasileiro.
O que conhecemos das delações é apenas uma amostra. Muito ainda é necessário para inibir esse sistema político corrupto no Brasil. 
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Notas:

1. Petição do médico Ednei Freitas, comentarista da Tribuna da Internet, pede o impeachment do ministro Barroso. Recebido pelo Senado no dia 16/02, às 17 horas, até hoje o requerimento não foi protocolado oficialmente, para que possa ter seguimento. Ednei completa: “A petição não é inepta, está fincada em argumentos sólidos e irrefutáveis, escrita de modo elegante e respeitoso e, embora desnecessário, segue no anexo com provas documentais. O senador Renan Calheiros não pode dizer que desconhece seu conteúdo, porque também foi enviada para seu endereço eletrônico no Senado Federal a cópia da petição e de seus anexos. Não há motivo para que a petição deixe de ser protocolada e, segundo a lei, lida na sessão plenária do senado no dia seguinte ao seu protocolo”. 
Fonte: http://www.colunaonline.com.br/coluna_ler.asp?id=1053

2. Não esquecemos do mesmo esquema de compra de voto usada na aprovação de PEC que permitiu reeleição de FHC, em que Sérgio Mota (falecido) levava o dinheiro aos deputados. E a reeleição tornou-se o mal maior na política brasileira, pela conivência dos órgãos de fiscalização, quanto ao uso da máquina pública e dos recursos da Nação. O deputado Ronny Von, denunciou aos quatro ventos ao reclamar que recebeu só R$ 220 mil, enquanto outros deputados receberam R$ 380,00!!!

sábado, 2 de janeiro de 2016

Minha Pátria, minha Língua



Hoje, dia 1º de janeiro de 2016, passa a ser obrigatório as regras do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.¹ 
Em uso desde 2009, o acordo representa 0,8% de mudanças nos vocábulos tais como: o fim do trema, novas regras para o uso do hífen, de acentos diferenciais e a inclusão das letras k, y e w no alfabeto. Adiada por três anos pelo governo brasileiro sua entrada em vigor suscita alguma reflexão. 
Conhecida como a última flor do lácio, inculta e bela,² a Língua Portuguesa é celebrada no dia 10 de junho em homenagem a Camões. Apesar de ser considerada um língua complexa, a definição e o uso preciso das palavras podem ser adquiridos por qualquer pessoa que se empenhe nesse objetivo, mesmo sem o ensino do latim, filosofia, nem da leitura dos clássicos literários. 
Fundamental é desenvolver uma bem sedimentada cautela crítica aos meios de comunicação, com especial atenção e discernimento no uso da Internet. Outra salutar vertente tem origem nas boas referências educacionais familiares e no compromisso do ser humano consigo mesmo, definido também como caráter pessoal ou personalidade. Mas nem sempre é assim. Ela vem sofrendo agressões exatamente por aqueles que deveriam mantê-la íntegra ao objetivo de espelhar a Realidade. 
Por capricho, prepotência e estupidez, a presidente eleita em 2010 emitiu decreto obrigando os funcionários públicos e órgãos governamentais a usarem um vocábulo esdrúxulo ao se referir à governanta: presidenta. E os subservientes senhores da Academia Brasileira de Letras (ABL), acolheram o estrupício no dicionário, estuprando mais uma vez regras básicas cultivadas a duras penas. 
Por outro lado, os ministros do Superior Tribunal Federal - STF, ao julgarem a legitimidade da união de homossexuais, apresentam seus votos apelando a contorcionismos de linguagem, para concluir que o homem é igual à mulher!

O forró de sucesso que Luiz Gonzaga cantou, composto por Durval Vieira, já chegara a essa conclusão simplista, ao matutar que diferença da mulher o homem tem?, que "se for reparar direito tem pouquinha diferença".³  
Essa igualdade, já é considerada na Constituição, em que todos são iguais perante as leis. Na linguagem de um dos ministro, a diferença entre o homem e a mulher é apenas um plus. Danou-se! O latim usual nas citações jurídicas, cede lugar ao anglicanismo para incluir os gays no Direito de Família e na Previdência Social. 

Mas não foi isso que surpreendeu aos mais atentos e sim a afirmação de que o ser feminino e o ser masculino são iguais em gênero! Tudo isso para evitar atropelar o texto constitucional que considera que casamento é realizado entre mulher e homemPelo menos isso ainda não foi mudado! 

Para os ministros do STF esse texto constitucional deve ser considerado também apenas um plus.
Mesmo assim, redatores, apresentadores, comunicadores e homossexuais usam o termo "casamento" para se referir a união entre parceiros de mesmo sexo.
A partir daí foram surgindo outras aberrações com o uso inadequado de termos de entendimento preciso, cristalizados a milhares de anos. Exemplo, o uso da expressão: "casal" gay. Casal significa um par que se complementa na geração e manutenção da espécie, em que um é macho e o outro é fêmea. Gays formam pares ou parceiros. Casais nunca.

Por considerar que o termo homossexual é contaminado de preconceito, o grupo gay criou o vocábulo homoafetivo, que significa literalmente afetos iguais, o que torna o vocábulo indefinido, impreciso. Irmãos tem afetos iguais de fraternidade, os amigos de amizade, etc. 

O neologismo não suporta o significado que se pretende dar a uma união afetiva sexual entre pessoas do mesmo sexo. O vocábulo é abrangente a todas as pessoas que têm relações de afeto, incluindo conterrâneos, amigos, colegas, parentes... Essa amplitude é perniciosa na definição das leis, mas cai como luva para os litigantes que gostam de levar vantagem em tudo.




Utilizar vocábulos que melhor defina a realidade poderá evitar dificuldades e interpretações canhestras em futuro próximo, mesmo no País dos Bacharéis, onde são admirados por cometerem laboriosas sentenças em prosas e versos... Prova disso está em que, a intenção dos constituintes de 1988 ao definirem que casamento é a união entre homem e mulher, parece que não ficou muito claro para os supremos ministros.
No artigo O direito de conversão da união estável em casamento nas relações homoafetivas, os doutores Lenio Luiz Streck e Rogério Montai de Lima aventam a possibilidade do STF ter "errado" mas concluem que, mesmo assim, sua decisão deve ser cumprida pelos profissionais do direito, sob ameaça de possíveis punições, e aceita democraticamente pela população! O contrato social tem desses senões: as decisões não são bem recebidas quando autoridade determinante descumpre ou tenta driblar preceitos e conceitos básicos às instituições geradas de forma minimamente democrática, como parece ser o caso da República Federativa do Brasil.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada por todas as nações reconhecida pela recém criada ONU, continua às nossas vistas para demonstrar que precisamos de algo mais além de boas intenções e textos precisos. O cipoal de leis é parte dos fatores que nublam a Justiça, tornando-a manipulável pelos que detêm prestígio junto aos poderes. 

Todo comportamento é legalizado para os que detêm poder. E as penalidades são ameaças para enquadrar os que não pertencem às quadrilhas institucionais legalmente constituídas. 
A esses é concedido desfrutar das brechas existentes nas leis e, em casos não previstos, lhe são permitido a abertura de novas brechas, quando for do interesse dos amigos da hora... Mesmo que para isso tenha que reinventar a realidade com neologismos ilusórios e raciocínios rasos. 
Para se tornarem realidade efetivamente democrática as leis precisam usar linguagem significante inteligível, necessária ao entendimento lúcido, elaboradas por pessoas que conhecem e procuram agir dentro da ética comum recorrente nos discursos mas esquecida nos becos dos interesses particulares.
Mesmo desfrutando do apoio dos atuais ministros do STF é sempre melhor firmar nos texto de especificidade legislativa, como é o caso da união estável de parceiros de mesmo sexo, palavras que tenham significância reconhecida pela maioria dos dicionários, inclusive pelos doutores que conhecem os caminhos e meandros das origens e significados dos vocábulos da nossa língua portuguesa. 
Outro neologismo, homofobo, significa literalmente medo, repulsa ou aversão irracional a iguais... Quaisquer que sejam esses iguais! Para mostrar trabalho os grupos nos poderes propõem leis específicas para penalizar aos que não comungam com a relação homossexual.
Já existem leis suficientes para punir aos que desrespeitam o próximo. Entretanto, não devemos cercear o direito do cidadão criticar ou admoestar motoristas, motoqueiros, pernósticos, intrometidos, desonestos, falastrões,  irresponsáveis, desagradáveis, deseducados, desafinados, inconvenientes, chatos, barulhentos, repetitivos, ingratos, soberbos, presunçosos, mentirosos, falsos, invejosos, maliciosos, perversos, chorões, indisciplinados, desrespeitosos, racistas, ditadores, violentos... 
Tudo isso são preconceitos praticados por muitos de nós que temos critérios e valores dos mais diversos, agora sob os disfarces do politicamente correto. 
Parece-me que os estatutos, constituições e normas legais falham em apresentar os direitos mais comezinhos, mas omitem informar quem tem os deveres de assegurar esses direitos! Assim como, relacionar os deveres a cumprir por quem quer usufruir desses direitos. 
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, as Constituições,  o Estatuto da Criança e do Adolescentes, do Idoso, do Nascituro são simplesmente esquecidos e descartados, quando a realidade se apresenta. 
Museu da Língua Portuguesa
Os direitos humanos são seletivos àqueles que provocam comoções na população e são explorados pela mídia: um condenado deve ter todos os direitos respeitados, enquanto as vítimas - que muitas vezes já os perdeu todos - são esquecidas pela Justiça. 
É como se a prisão e julgamento, com a condenação ou libertação do criminoso,  fossem o suficiente e o necessário para compensar todos os direitos da vítima, seus dependentes e familiares. Nenhum direito!
Sabendo que os poderes legislativos têm maioria eleita pelos que detêm o poder político-econômico que sustentam os meios de comunicação de massa, o cidadão se volta à Internet e redes sociais minimamente livres, democráticas e eventualmente éticas e verdadeiras.
É pacífico o direito incontestáveis dos gays se unirem em contrato civil como o fazem há tempos os não-gays. Aguardo, entretanto, os próximos capítulos, na esperança de que se restabeleça a sensatez linguística na redação das leis, assim como a aplicação mais ampla da eficácia admirável intrínseca existente na Lei da Paternidade Reconhecida: se o provável pai se recusar de fazer o exame de DNA, será considerado o pai para todos os efeitos legais... Para o teste do bafômetro, por exemplo! Bom, pelo menos para a maioria da população que não são Vossa Excelência, autoridade, endinheirado ou famoso, visto que todos esses estão submetidos a um fórum muito especial que navega acima das leis ordinárias promulgadas para simples mortais como nós outros.
A invenção do termo homoafetivo revela mais uma tentativa de fugir do - considerado por razões culturais - estigmatizante vocábulo homossexual. Seu significado exato, entretanto, fez diferença para todos nós da turminha do futebol, quando minha mãe, ouvindo de passagem um do grupo contando vantagens por ter enganado alguns garotos com promessas de troca na relação homossexual,  esclareceu: "não é só o passivo (eromenos) que é homossexual, o ativo (erasta) também é... Ambos praticam o homossexualismo!"
Museu da Língua Portuguesa, Estação da Luz - SP
Esse apreço pela comunicação da verdade para os povos ocidentais tem marco importante na Grécia Antiga de Péricles (500-429 a.C) em seu ideal de democracia que harmonizava os interesses do Estado com os de seus cidadãos. Destaque à cidade-estado Atenas, com o exercício de aprimoramento nas praças públicas (ágoras) da dialética sem censura. Dois principais ramos ou caráter da dialética tornaram-se mais conhecidos e permanecem até nossos dias sob técnicas, amplitude, simultaneidade e efeitos especiais que os recurso didático-eletrônicos permitem: uma que busca alcançar, com uma consistente construção oral-literária, a melhor relação entre a realidade e o proclamado ou escrito; outra que enfoca o convencimento, independente da realidade constatada pela interação dos sentidos com o universo do conhecimento minimamente aceitável. 
As consequências do uso de vocábulos indefinidos ou de amplo entendimento, ainda não se apresentaram na prática, mas são previsíveis. Exemplo: direito de união do cidadão bissexual a três cônjuges; união estável sem ocorrer relação sexual entre os consortes, parceiros, parentes ou amigos... E outras demandas que sugerem um pool entre o Judiciário e o Legislativo para a redação das leis, que venha evitar a perda total de confiança nas instituições democráticas. A relação linguagem versus realidade cristalizam-se principalmente nas citações em latim e em línguas aprimoradas, como a germânica: o alemão. Ambas dispõem das assertivas declinações - inexistentes na maioria das línguas usadas hoje em dia, as quais evitam interpretações diversas e dubiedade no entendimento. 

A linguagem escrita é a ferramenta fundamental da comunicação, do direito e da legislação. Mas, como qualquer ferramenta criada pelo ser humano, seu uso aprimorado depende de quem a utiliza. A maioria dos acima de sessenta anos ainda lembra da surpresa de Guliver ao tentar saber porque os diminutos liliputianos guerreavam há décadas! Há tanto tempo, que ninguém mais lembrava mais o motivo do conflito entre eles. Recorreram aos anciãos e um deles ainda lembrou a origem do conflito: é que habitantes de algumas ilhas abriam o ovo quente pelo lado contrário ao definido em comum acordo por seus honrados e respeitados antepassados, conforme registrado no Livro da Lei, que todo liliputiano conhecia de cor e era instado desde ainda infantes, a praticar fielmente seus ditames. Entretanto, habitantes de algumas ilhas abriam o ovo quente pela parte pontuda e os de outras ilhas quebravam pela parte rombuda. Intrigado, Guliver pede o Livro da Lei para ver o que fora definido democraticamente sobre a questão e lê: "os ovos quentes devem ser abertos pelo lado certo"... 

Não é novidade relatores tentarem melhorar textos já acordados e aprovados. É conhecida a declaração do constituinte-relator de ter alterado a redação já aprovada no texto da CRFB de 1988, incluindo redação de dois artigos não discutidos nas Comissões! Lembram seu nome? Alguém aí falou Nelson Jobim!

A curiosidade e o aprendizado da sensualidade é parte do desenvolvimento da criança, e pode ser frustrada por diversas interferências, como as cometidas pelos pedófilos. Notícias de bons resultados nas investigações e prisões de pedófilos que utilizam a Internet para divulgar seus crimes,  podem evitar que muitas vidas sejam descontinuadas na época feliz e despreocupada das descobertas da infância. Esse crime – pedofilia - que deixa indignada a maioria de nós, mas não a ponto de impedir que, democraticamente, deputados suecos apresentassem projeto de lei para reduzir de 16 para 12 anos a idade de consciência sexual. Pela proposta, após essa idade a relação sexual seria considerada consentida e não haveria crime de pedofilia! É a democracia legalizando comportamentos considerados inaceitáveis pela maioria dos cidadãos... 
Vale lembrar que na democrática Grécia Antiga o homossexualismo e a pedofilia eram práticas comuns. Não será surpresa se breve ouvirmos gente proclamando a demanda dos pedófilos com a conhecida falácia, muito utilizada no convencimento dos menos atentos: "Será que o pedófilo não tem o direito de ser feliz?". 
Interior do Museu da Língua Portuguesa

A  força de convencimento desta frase foi testado em um episódio do programa Você Decide, onde um casal de irmãos, separados na primeira infância,  se reencontram já adolescentes e iniciam uma relação de intensa afeição. A questão posta no ar era: depois de saberem que são irmãos, eles devem ou não consumar a relação amorosa sexualmente? Ao final de cada intervalo o narrador incentivava o público a votar, fazendo questionamentos do tipo: Será que eles vão renunciar a esse amor e se submeterem aos preconceitos sociais?  Durante os dois primeiros blocos a opção não ganhava com larga margem. No intervalo entre o segundo e o terceiro bloco o locutor fez outras provocações e concluiu: Será que esses jovens não têm o direito de serem felizes por causa de antigos costumes e crenças? A partir daí se iniciou a virada no escore e, no bloco final, os dois irmãos cometem romanticamente o incesto que a maioria democrática dos telespectadores escolheu... 
As instituições desportivas se aplicam há décadas em definir o sexo dos atletas através da genética, identificando cromossomos e quantificando hormônios para manter justiça nas competições. Não basta a definição constante na Certidão de Nascimento ou nos registros de identidade. É preciso comprovar cientificamente o gênero do atleta. Isso permite que até atletas hermafroditas possam competir na categoria masculina ou na feminina, definida geneticamente em testes laboratoriais. Parece que os atuais projetos e leis não atentaram para essa definição.
Incêndio no Museu da Língua Portuguesa, dez.15
E assim vamos, criando leis dispensáveis para punir os acusados de preconceito de homofobia, pelo simples fato de não considerar que nossa profícua legislação já pune o desrespeito a qualquer pessoa, mesmo quando ocorrido sob as mais diversas formas e disfarces: ameaças, calúnias, humilhações, agressões, difamação e prejuízos diversos. 
A sentença unânime do STF dispondo sobre a união entre pessoas do mesmo sexo tem características de indisfarçável demonstração de poder, de quanto e como o Supremo pode interferir no Legislativo, com normas estabelecidas em "democrática" corrupção dos bandidos: com ou sem togas.

Exemplo recente confirma essa perspectiva. Convivemos numa Babel de desfaçatez que agride qualquer ser pensante com um mínimo de integridade. Nela são criadas novas "línguas" dentro da língua, de modo a confundir aos menos atentos. 
Não foi a falta de conhecimento que impediu a interpretação legítima do texto constitucional pelo ministro Marco Aurélio de Mello ou a supressão de parte fundamental do texto do Regulamento da Câmara pelo ministro Luiz Roberto Barroso. 
Essas atitudes não podem ser imputadas às inúmeras dificuldades da Língua Portuguesa. São falta de caráter e cinismo explícitos que repudiamos, alertamos e denunciamos por todos os meios.

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NOTAS:

1. Fonte:
< https://br.noticias.yahoo.com/novo-acordo-ortogr%C3%A1fico-%C3%A9-obrigat%C3%B3rio-a-partir-174301282.html >

2. Língua portuguesa
                                              Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome. Nascido no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15, que tem Gonçalves Dias por patrono. No seu principal livro, "Poesias", incluiu Bilac alguns sonetos satíricos , sob o título de "Os Monstros". Escreveu livros em colaboração com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume intitulado "Pimentões", de versos humorísticos.



Os versos acima foram extraídos do livro "Poesias", Livraria Francisco Alves - Rio de Janeiro, 1964, pág. 262. Fonte: < http://www.releituras.com/olavobilac_lingua.asp >

3. Tem Pouca Diferença
                  
                   Composição de Durval Vieira

Que diferença da mulher o homem tem?
Espera aí que eu vou dizer, meu bem
É que o homem tem cabelo no peito
Tem o queixo cabeludo
E a mulher não tem


No paraíso um dia de manhã
Adão comeu maçã, Eva também comeu
Então ficou Adão sem nada, Eva sem nada
Se Adão deu mancada, Eva também deu


Mulher tem duas pernas, tem dois braços, duas coxas
Um nariz e uma boca e tem muita inteligência

O bicho homem também tem do mesmo jeito
Se for reparar direito tem pouquinha diferença.


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